Professor de escola pública do Espírito Santo é finalista do Global Teacher Prize, o “Nobel” da Educação

Professor de escola pública do Espírito Santo é finalista do Global Teacher Prize, o “Nobel” da Educação

O brasileiro Wemerson da Silva Nogueira, de 26 anos, foi anunciado esta semana como um dos escolhidos para concorrer ao Global Teacher Prize, premiação anual, criada em 2014, pela Varkey Foundation. O prêmio, considerado um Nobel da Educação, tem como objetivo valorizar a profissão do professor, reconhecendo práticas inovadoras e exemplares nas escolas e desta maneira, inspirar estudantes, comunidades e meio acadêmico.

Natural de Nova Venécia, Nogueira é  professor de Ciências e Química. “Sou apaixonado pela educação e desenvolvimento de projetos sociais”, diz ele em suas redes sociais.

Em outubro do ano passado, o professor foi o grande vencedor do prêmio nacional Educador Nota 10, promovido pela Fundação Victor Civita em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Nogueira foi escolhido graças a seu projeto  “Filtrando as Lágrimas do Rio Doce”, com os alunos do 8º ano da escola municipal Antônio dos Santos Neves, em Boa Esperança.

O foco do projeto era estudar os impactos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Bento Rodrigues, Minas Gerais, sobre o Vale do Rio Doce. Em novembro de 2015, no que foi considerado o maior desastre ambiental do Brasil, uma onda de resíduos de mineração destruiu vilarejos, matou pessoas e contaminou a água, a flora e a fauna da região.

Através da coleta de amostras da água contaminada e análises em laboratórios, os estudantes do colégio público capixaba pesquisaram a presença de elementos químicos. Em um segundo momento, eles tiveram a ideia de despoluir a água, utilizando filtros de areia.

Agora Nogueira concorre ao Global Teacher Prize com professores e professoras de outros nove países: Espanha, Quênia, Inglaterra, Alemanha, Paquistão, Jamaica, Canadá, China e Austrália.

Esta é a terceira edição da competição internacional, que este ano recebeu 20 mil inscrições de 179 países. O vencedor do Nobel de Educação é contemplado com 1 milhão de dólares. O resultado será divulgado no mês que vem, no dia 19, em uma cerimônia em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde o educador do Espírito Santo estará presente.

Além de Wemerson Nogueira, outro brasileiro, o professor de Parintins, no Amazonas, Valter Pereira de Menezes, foi indicado ao prêmio este ano. Ele ficou entre os 50 finalistas, com o projeto “Água limpa para os curumins do tracajá”. Sua ideia foi construir fossas biológicas usando folhas de bananeiras.

Em 2016, o Brasil também já havia recebido destaque na competição mundial. O professor do Mato Grosso, Márcio Andrade Batista, concorreu ao Global Teacher Prize, como noticiamos aqui. Mas quem acabou conquistando o título foi a educadora palestina Hanan Al Hroub. 

Envolvimento com a comunidade

Wemerson Nogueira sempre estudou em escolas públicas. Formou-se em Ciências Biológicas e em 2012, logo após a graduação, começou a dar aulas. O primeiro colégio em que trabalhou fica localizado em uma área carente, com indíces de violência muito altos. A taxa de evasão escolar chegava a 50%.

O professor capixaba propôs então à administração o desenvolvimento do projeto “Jovens Cientistas: Criando um Novo Futuro”. O objetivo era melhor o comportamento dos alunos dentro do ambiente escolar.

Através de um método mais dinâmico e divertido, o educador conseguiu atrair a atenção dos estudantes nas aulas de Ciências. Nogueira costuma levar os jovens para fora da sala de aula e instigar a curiosidade deles com elementos da natureza. Além disso, usa muitas músicas e paródias para ensinar os conceitos da química. Foi dentro deste projeto que surgiu a pesquisa sobre a água do Rio Doce.

O resultado da iniciativa foi um sucesso. Em um período de quatro anos, a escola conseguiu reduzir drasticamente a taxa de abandono, além de tirar das ruas alunos envolvidos com drogas e crimes.


Foto: divulgação Global Teacher Prize/arquivo pessoal

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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