Professor brasileiro recebe reconhecimento da Unesco por projeto de descontaminação da água do Rio Doce

Professor brasileiro recebe reconhecimento da Unesco por projeto no Rio Doce

Depois de ser o grande vencedor do prêmio Educador Nota 10, promovido pela Fundação Victor Civita, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, em 2016, e ficar entre os dez finalistas do Global Teacher Prize, considerado um Nobel da Educação, no começo deste ano, o professor capixaba Wemerson Nogueira foi um dos convidados para participar de um evento internacional de educação na Coreia do Sul, que começou esta semana e vai até 15 de setembro.

O fórum Global Capacity Building Workshop é promovido pelo programa Global Citizenship Education (GCED), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e tem como objetivo promover um futuro pacífico e sustentável através da educação.

Nogueira, de apenas 26 anos, desenvolveu um projeto com seus alunos na escola pública estadual de Boa Esperança, no norte do Espírito Santo. A ideia surgiu após a tragédia ambiental ocorrida em Minas Gerais, com o rompimento da barragem da mineradora Samarco, em novembro de 2015, que destruiu completamente o vilarejo de Bento Rodrigues, deixando mais de 20 pessoas mortas, e levou um mar de lama tóxica para toda a bacia do Rio Doce, poluindo e contaminando a água e tirando a vida de animais que viviam ali.

Através do projeto “Filtrando as Lágrimas do Rio Doce”, o professor criou, juntamente com seus alunos, um filtro bioativo de areia, capaz de limpar a água contaminada com os rejeitos de minérios (metais pesados). O trabalho prático fez com que os estudantes conseguissem entender conteúdos relacionados à disciplina de Química, sobretudo, a tabela periódica.

O projeto contou com a parceria da Secretaria de Educação do Estado e empresários do município de Nova Venécia e Boa Esperança. “No início, conseguimos atender a comunidade capixaba de Vila de Regência, com 55 filtros”, conta Nogueira. “Atualmente já são mais de 8 mil famílias usando o filtro, tanto no Espírito Santo, como em Minas Gerais”, garante.

O docente brasileiro apresentou o projeto para professores de outros 28 países, que também compartilharam suas experiências pessoais.

“Estou encantado com tanto aprendizado que estou adquirindo aqui neste evento e com o o olhar educacional que cada um desses países – África, Argentina, Colômbia, Japão, China, Indonésia, Índia, Chile, entre muitos outros – têm para a educação”, disse em suas redes sociais.

Envolvimento com a comunidade

Wemerson Nogueira sempre estudou em escolas públicas. Formou-se em Ciências Biológicas e em 2012, logo após a graduação, começou a dar aulas. O primeiro colégio em que trabalhou fica localizado em uma área carente, com indíces de violência muito altos. A taxa de evasão escolar chegava a 50%.

O professor capixaba propôs então à administração o desenvolvimento do projeto “Jovens Cientistas: Criando um Novo Futuro”. O objetivo era melhor o comportamento dos alunos dentro do ambiente escolar.

Através de um método mais dinâmico e divertido, o educador conseguiu atrair a atenção dos estudantes nas aulas de Ciências. Nogueira costuma levar os jovens para fora da sala de aula e instigar a curiosidade deles com elementos da natureza. Além disso, usa muitas músicas e paródias para ensinar os conceitos da química. Foi dentro deste projeto que surgiu a pesquisa sobre a água do Rio Doce.

O resultado da iniciativa foi um sucesso. Em um período de quatro anos, a escola conseguiu reduzir drasticamente a taxa de abandono, além de tirar das ruas alunos envolvidos com drogas e crimes.

O professor brasileiro, junto com colegas na Coreia do Sul,
sentado logo na primeira fila, no canto direito

Foto: divulgação Global Teacher Prize e arquivo pessoal

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Um comentário em “Professor brasileiro recebe reconhecimento da Unesco por projeto de descontaminação da água do Rio Doce

Deixe uma resposta