Produtos da paraense Manioca valorizam a sociobiodiversidade amazônica e o desenvolvimento local

Imagine comer um tucupi, um prato com jambu, uma geleia de açaí, de pimenta de cheiro ou taperebá, ou ainda um doce de cupuaçu, uma farinha d´água, enfim, essas lindezas que aguçam o paladar com perfumes e texturas, e saber que está ajudando no desenvolvimento local de comunidades amazônicas?

Pois é isso que acontece quando consumimos produtos da Manioca, uma empresa paraense que produz alimentos naturais, sem conservantes ou corantes, envolvendo processos artesanais na fabricação. Além de saudáveis, os alimentos trazem o sabor original dos ingredientes da Amazônia e desenvolvem uma cadeia produtiva com base no comércio justo.

Considerada um negócio social, ou de impacto, a Manioca foi criada a partir da demanda por ingredientes utilizados na gastronomia paraense, em especial por chefs que atuavam – e atuam – em restaurantes de gastronomia brasileira. Hoje, esses alimentos têm como público de interesse não só os chamados food services, mas também o consumidor final.

A Manioca surge a partir da história da família da empresária Joanna Martins. Seu pai, Paulo Martins, e a avó, Anna Maria, criaram, na década de 1970, o hoje lendário restaurante Lá em Casa, responsável por projetar e divulgar a culinária paraense. “Durante muitos anos, meu pai viajou o país fazendo eventos, dando aulas, e começou a surgir uma demanda por produtos da região, vinda de Chefs de cozinha e hotéis fora da Amazônia. Ele começou a comercializar esses ingredientes para Chefs amigos, quase como um favor. Com o passar do tempo essa demanda foi aumentando e veio então a Manioca”, diz Joanna.

A motivação para o negócio era criar produtos 100% naturais, à base de insumos amazônicos, e promover o comércio justo, incentivando um relacionamento de respeito e valorização entre produtores, comunidades e cozinheiros.

A Manioca emprega 14 pessoas e cerca de 30 negócios fornecem produtos para a empresa. Desses, 14 são da agricultura familiar, alcançando em média 60 a 70 pessoas em comunidades localizadas em grande parte no nordeste do Pará, mas também nas regiões de Santarém e Altamira. A relação é de parceria: “A gente negocia tudo que é feito, seja na quantidade de produção, no valor pago pelo produto, na periodicidade de entrega. Procuramos ser o mais transparentes possível nessa relação. Porque o nosso objetivo enquanto negócio social é gerar um impacto positivo na região, não apenas transformar a Manioca em um negócio promissor”.

Os produtos da Manioca estão em vários pontos de venda por todo o país, acessíveis aos consumidores finais. Eu mesma já os encontrei no supermercado Pão de Açúcar, em São Paulo. Adquirir os produtos sabendo toda a cadeia que ele alavanca, promovendo, além da valorização dos produtos da gastronomia amazônica, o desenvolvimento de comunidades, deixa um gostinho ainda mais saboroso.

Desde 2014, renomados restaurantes no Brasil estão também entre os clientes da Manioca: DOM, Dalva e Dito (ambos de Alex Atala), Maní (Helena Rizzo), Olympe (Thomas Troisgros), entre vários outros. Dos restaurantes listados no Guia Michelin Brasil 2017, 40% usam seus produtos.

Em 2018, a Manioca recebeu um reconhecimento importante da qualidade de seus produtos, ao ser uma das marcas selecionadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX – Brasil) para representar o país na maior feira de alimentos da Europa, a SIAL, em Paris.

“Para nós, conseguir nos manter no mercado criando produtos de qualidade, que valorizam a Amazônia, e sendo exemplo para alguns negócios locais, é a maior conquista que poderíamos querer. A Manioca já nasceu com essa preocupação socioambiental, e ajudar a desenvolver a região passa diretamente pela relação que estabelecemos com nossos fornecedores. A gente nem imagina fazer de forma diferente. Esse é o modelo adequado para a Amazônia”.

Valorizar a biodiversidade amazônica e praticar o preço justo, remunerando adequadamente as comunidades envolvidas na cadeia produtiva, é uma das grandes chaves para manter a floresta em pé.

Para conhecer os pontos de venda, clique aqui.

Fotos: Manioca/divulgação

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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