Pringles é exemplo de pior embalagem para ser reciclada, afirma especialista

latas de batata pringles

Popular na década de 70 e 80, as batatinhas crocantes americanas Pringles vinham – e ainda vem – dentro de uma lata igual àquelas de bolas de tênis. A marca, comprada em 2012, pela gigante alimentícia Kellog’s, movimenta mais de 1,1 bilhão de dólares por ano, somente no mercado americano. Vale lembrar que o produto é vendido em mais de 140 países do mundo, e é considerado um dos mais comercializados globalmente.

Mas esta semana, o presidente da Associação das Empresas de Reciclagem do Reino Unido, Simon Ellin, chamou a embalagem de Pringles de “pesadelo”, usando-a com o o pior exemplo de design da indústria para fins de reciclagem. “Que idiota projetou isso em termos de reciclagem?”, questionou. “O que colocamos em nosso lixo reciclável precisa ser reciclável. Precisamos nos livrar do fator Pringles”.

A embalagem em formato de tubo é feita com uma base de metal, uma tampa plástica e tem a parte do corpo externo coberta de papelão e a interna com papel laminado. A utilização de todos estes materiais diferentes torna a reciclagem da mesma praticamente impossível.

lata de pringles

O uso de diferentes materiais na fabricação da lata impossibilita a reciclagem

Em resposta ao comentário de Ellin, a Kellog’s afirmou em comunicado à imprensa que “A empresa assume sua responsabilidade com o planeta de maneira séria e está trabalhando continuamente para melhorar a performance ambiental”.

O presidente da associação que representa o setor de reciclagem no Reino Unido citou outros tipos de embalagens que são péssimas para serem reaproveitadas. Uma delas é a da bebida Lucozade, que não é comercializada no Brasil, além de canudos, sachês de produtos de higiene, copos e tampas de café (aqueles utilizados em cadeias como Starbucks, que não são recicláveis), pacotes de salgadinhos. Outra embalagem criticada por Ellin são as bandejas de plástico preto, utilizadas muitas vezes para carnes nos supermercados.

Inovação para reduzir impacto ambiental

A divulgação da lista das piores embalagens para serem recicladas aconteceu durante o lançamento da competição New Plastics Economy Innovation Prize, que tem como objetivo promover inovação no design de embalagens para reduzir o despejo de resíduos plásticos nos oceanos. O concurso é uma parceria entre a Ellen MacArthur Foundation, com o apoio o The Prince of Wales’s International Sustainability Unit, organização criada pelo ativista e ambientalista Príncipe Charles, herdeiro do trono da Inglaterra.

A iniciativa vai oferecer 2 milhões de dólares para designers, pesquisadores, cientistas e engenheiros que tenham soluções para tornar todas as embalagens de plástico recicláveis e consequentemente, minimizar o impacto ambiental da indústria.

Estima-se que, atualmente, menos de 20% do plástico utilizado em embalagens é reciclado, porque ou os resíduos são pequenos demais ou a composição complexa demais, com o é o caso da lata de Pringles. O problema é que especialistas acreditam que a produção global de plástico dobre na próxima década.

“Precisamos repensar a maneira como fazemos e usamos o plástico”, alerta Ellen. “Nós não acreditamos que o sistema funciona no momento. Apenas 2% das embalagens plásticas são recicladas para o mesmo material de qualidade e 32% acabam sendo despejadas no meio ambiente.”

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Foto: divulgação Pringles UK/Facebook

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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