Primeira morte por coronavírus no Brasil destaca importância de prevenir, de se isolar e de doar sangue

Nestas férias, não deixe os estoques dos bancos de sangue ficarem vazios!

O Brasil tem 314 casos de Covid-19 – oitenta a mais em cinco dias -, e acaba de entrar para a lista de países com vítimas fatais por coronavírus. Foi um homem de 62 anos, hipertenso, diabético e com hiperplastia prostática (aumento benigno da próstata) que morreu, na manhã de hoje, 17/3, em São Paulo.

Ele estava internado em hospital particular desde o dia 14, mas os primeiros sintomas surgiram quatro dias antes. E ainda há outros quatro óbitos sob suspeita, no mesmo hospital.

A notícia, divulgada à imprensa por David Uip, infectologista coordenador do Centro de Contingência para o coronavírus no estado de São Paulo, veio reforçar as medidas de prevenção e de contenção da transmissão do vírus propostas pelo Ministério da Saúde.

A vítima não viajou ao exterior, portanto, seu caso é resultado de transmissão comunitária. “Temos que repensar cada vez mais as medidas de prevenção, principalmente por se tratar de um óbito comunitário”, declarou o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann.

São Paulo já registra 164 casos – 52% do total do país -, sendo 159 na capital paulista e os demais divididos por oito municípios.

Vírus veloz e falta de sangue

A primeira morte por coronavírus no Brasil trouxe inúmeras questões para as autoridades paulistas como a necessidade de rever o entendimento que se tinha, até aqui, sobre a evolução da doença em pacientes graves.

Segundo o G1, o infectologista David Uip destacou a velocidade com que o homem de 62 anos morreu. “Foi uma evolução rápida, da internação ao óbito. O caso desse paciente está fazendo a gente entender como se comporta a doença. Nós imaginávamos que o período de encubação da doença era de até 14 dias, mas a média está sendo de 6 a 8 dias até a doença se manifestar. Vamos inclusive sugerir ao Ministério da Saúde que diminua o tempo de quarentena de até 14 dias para dez”. 

Outra questão é o estado dos bancos de sangue da capital, que “estão praticamente vazios”, revelou Uip. Por isso, o infectologista faz um alerta e um pedido para que todos que puderem doem sangue:

“Eu preciso dar um informe, que preciso de muito apoio de vocês: os nossos bancos de sangue estão praticamente sem sangue. O banco de sangue que tem mais sangue, tem sangue hoje para praticamente uma uma semana”. E ressaltou: “A grande questão de sangue é o problema que o indivíduo não está doando sangue com medo do pegar coronavírus. E não é isso, se existe um lugar protegido é o banco de sangue”.

Diante da previsão de que o surto de coronavírus pode durar “de quatro a cinco meses”, a notícia dada por Uip é alarmante. Então, se você mora em São Paulo, doe e convide amigos e família a fazer o mesmo. Está aí um bom motivo para “romper” o isolamento. Se não morar em São Paulo, procure saber como está a situação dos bancos de sangue em sua cidade.

Quem pode doar e quem não

Claro que o doador não pode estar gripado, nem resfriado, nem debilitado por qualquer outro motivo ou vacinado contra febre amarela, recentemente. Estas devem aguardar pelo menos quatro semanas para doar, a partir da data de vacinação.

Também não podem ser doadores mulheres que estejam amamentando e pessoas portadoras de diabetes (que necessitam de insulina).

Onde doar

Posto Clínicas da Pró-Sangue, São Paulo – Av. Dr. Enéas Carvalho de Aguiar, 155, 1º andar, a 200 metros da estação Clínicas do Metrô / Horário de atendimento: das 7 às 18 horas de segunda a sexta; das 8 às 17 horas nos sábados, feriados e pontes; e das 8 às 13 horas, nos 1º e 3º domingos de cada mês (aos sábados, atendimento limitado a 380 candidatos). Estacionamento, gratuito aos doadores, no subterrâneo – Garagem Clínicas, na Av. Dr. Enéas Carvalho de Aguiar.

Para saber horário de funcionamento e os endereços  dos demais postos de coleta no Estado acesse aqui. Mais informações no Alô Pró-Sangue: 0800 55 0300.

Como doar

Veja o que é preciso para se tornar um doador de sangue:
– basta estar em boas condições de saúde;
– ter entre 16 e 69 anos (para menores, consultar site Secretaria da Saúde);
– pesar mais de 50 kg;
– levar documento de identidade original com foto recente, que permita sua identificação;
– comparecer alimentado ao posto de coleta (recomenda-se evitar alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação e, no caso de bebidas alcoólicas, 12 horas antes).

As pessoas que já se imunizaram em anos anteriores podem fazer a doação. Aos que ainda precisam tomar a vacina contra a febre amarela, a dica é fazer a doação antes de comparecer a uma unidade de imunização.

Imagem: domínio público/pixabay

Fonte: G1, Folha de São Paulo, Ministério da Saúde

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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