Primeira Miss Curitiba negra não gosta de ser chamada de neguinha

No fim do mês, ela vai estar no concurso que vai eleger a Miss Paraná 2017. Aprendemos na escola que o Paraná é um estado do sul do Brasil, colonizado por portugueses, espanhóis, alemães, italianos poloneses e japoneses.

A Miss Curitiba, Letícia Costa, eleita no começo do ano, não se identifica exatamente com nenhuma dessas etnias. Ela é negra! Aliás, a primeira miss negra eleita na capital paranaense.

São mudanças que mostram não só que a beleza negra foi percebida num estado predominantemente branco, como também que as negras estão mais confiantes da própria beleza.

Letícia é modelo e estudante de jornalismo. Conversei com ela num bosque de Curitiba e descobri uma mulher que sabe o que quer da vida. Ela diz que o racismo velado, do qual já foi vítima, é um mal na sociedade brasileira e -longe de ser ativista -, entende que é preciso falar e lutar contra isso.

Letícia acredita que é preciso falar e lutar contra o racismo velado

Para a miss Curitiba, vida de negro é diferente porque tem algumas batalhas que só os negros enfrentam. Jovem, bonita idealista, Letícia Costa não precisa vencer a disputa que tem pela frente porque, independentemente do que acontecer, ela já está preparada para enfrentar a vida.

Só não a chamem de “neguinha”: ela não gosta nada, nada de ser identificada assim.

Foto: arquivo pessoal/Opa Fotos/Sabrina Lima e divulgação Miss Curitiba Oficial 

Herivelto Oliveira

Jornalista há 30 anos, é formado em Comunicação Social na Universidade Federal do Paraná. Em 1986, começou a carreira em televisão, primeiro como repórter e mais tarde, editor e apresentador. Trabalhou nas Redes Globo e Record. Em 2015, montou sua própria empresa, a Sobrequasetudo Comunicação e Arte, especializada em media training. Em 2017, criou o Brasil de Cor, um canal para dar oportunidade e visibilidade a negros brasileiros

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