Preservar as árvores mais antigas e amar a natureza que somos

Mais um ano, a primavera se aproxima e, hoje, celebramos o dia de nossas queridas árvores. Para não perder o costume, faço questão de reafirmar, para mim todo dia é Dia da Árvore!

A bandeira que me move e minha luta tem sido, ao longo de 11 anos, a de promover o vínculo de crianças e adultos com as árvores e natureza. O desenvolvimento da cultura ambiental na sociedade. Tem sido uma jornada contínua – a passos de formiga – e incansável, mas sempre nutrida pela sabedoria que encontro junto a maestria das árvores. São como pais e mães pra mim. Nelas encontro acolhimento, paz, serenidade, conhecimento e re-conhecimento. Aprendizados valiosos para cada situação da vida.

Lembro-me como se fosse ontem, quando passava momentos da minha infância no sítio dos meus avós, sentada no chão, junto dos troncos e sob a sombra das minhas primeiras mestras. Eram elas a amoreira, a jabuticabeira e o abacateiro. Eu tinha esse lugar especial de estar plena junto a elas, passando horas em um tempo sem tempo, momentos eternos. Como se delas eu recebesse nutrição e pudesse voltar quando fosse necessário. De certa forma, acredito que meu sonho dos tempos atuais teve sua semente plantada ali na infância, naqueles momentos junto à natureza. Sonho um sonho em que todas as pessoas recebem uma semente de árvore e a natureza em seu coração. Um sonho de plantar árvores nas pessoas.

Neste dia da árvore – o dia em que celebro o aniversário das minhas irmãs e melhores amigas -, ofereço dois presentes para os leitores do blog Árvores Vivas e para todos que acompanham a trajetória ao longo dos últimos 11 anos.

Primeiro, mais um mapeamento colaborativo do Instituto Árvores Vivas, desta vez para juntos guardarmos e protegermos as árvores anciãs de nosso país, que crescem continuamente até o fim de suas vidas. As árvores mais antigas são as mais importantes para o equilíbrio ecológico, a manutenção da biodiversidade e a sustentação de serviços ecossistêmicos de qualidade.

Todas as árvores antigas deveriam ser preservadas, cuidadas, valorizadas. Merecem nosso respeito, amor, luta e carinho. Este mapeamento tem como missão identificar onde estão estas árvores, quem são elas e futuramente permitir que o Instituto Árvores Vivas possa apoiar e trabalhar no tombamento e na conservação destas árvores tão valiosas para a vida do planeta.

Se você conhece árvores grandiosas, em altura e diâmetro, se conhece de uma árvore anciã e muito antiga – em área urbana, rural ou até mesmo em áreas de preservação ambiental -, registre-a no formulário de mapeamento Onde estão nossas árvores anciãs? para que possamos monitorar e juntos trabalhar a favor das nossas mestras, mães e pais, seres que são parte essencial da nossa existência, que são parte da nossa família brasileira!

Segundo presente: na semana passada, nos dias 14 e 15 de setembro, aconteceu o I Encontro Natureza e (des)Medicalização no Instituto de Psicologia da USP. Esta iniciativa foi organizada e realizada por muitas instituições e pessoas, entre elas o Instituto Árvores Vivas, Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, a Rede Permaperifa, Instituto Alana, o Grupo de Queixa Escolar e o Fórum Contra a Medicalização da Educação e da Sociedade. E é resultado de diálogos ocorridos durante dois anos, que frutificaram e culminaram com dias de muitas trocas de experiências, aprendizados e partilhas.

Tive a honra de fazer a palestra de abertura da conferência e também realizei uma vivência autoguiada de sensibilização com a natureza para todos os participantes. Foi uma experiência linda de ver e viver e muitas pessoas me pediram para compartilhar. Então, escrevi e publiquei material a respeito. Quem tiver interesse em acessá-lo e estar em contato mais pleno com a natureza no dia-a-dia, é só baixar o material. Para tanto, é necessário preencher o cadastro para registro.

Foto: Juliana Gatti – Figueira do Parque Ibirapuera

Mestranda na área de Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, sua pesquisa dedica-se a avaliar a influência da natureza na qualidade de vida de crianças e sociedade. Idealizou o Instituto Árvores Vivas em 2006, onde promove ações de conexão com a natureza por meio de apreciação, restauração e fomento da cultura ambiental.

Juliana Gatti

Mestranda na área de Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, sua pesquisa dedica-se a avaliar a influência da natureza na qualidade de vida de crianças e sociedade. Idealizou o Instituto Árvores Vivas em 2006, onde promove ações de conexão com a natureza por meio de apreciação, restauração e fomento da cultura ambiental.

2 comentários em “Preservar as árvores mais antigas e amar a natureza que somos

  • 21 de setembro de 2017 em 9:15 PM
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    Oi Juliana, você conhece nosso trabalho aqui no Rio de Janeiro, uma aplicação ArcGIS para visualização e consulta, pela população em geral, com as Árvores Protegidas da Cidade do Rio de Janeiro . Gostaria de conhecer mais e trocar ideias com você sobre o cadastro e mapeamento de árvores antigas \ grandes. Meu email é o , sou engnehiro florestalç da Prefeitura do Rio de Janiero e Arborista Certificado ISA BR 008A .

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    • 25 de setembro de 2017 em 4:07 PM
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      Olá Luiz, agradeço o contato. Vamos sim falar sobre os projetos. Lhe envio email em breve. Abraço

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