Presentes ativistas: o consumo como ato político e empatia

Fim de ano vem chegando, e com ele aquele apelo consumista da compra de presentes.

E cá venho eu sugerir que, já que você vai consumir, que esse consumo tenha um significado. Um propósito. Afinal, consumir é também um ato político.

As opções são várias, e fáceis de serem acessadas. Eu reuni algumas aqui. Não é difícil encontrar no seu território oportunidades assim – feiras e pontos de produtos de economia solidária, de produtos artesanais, alimentos orgânicos comprados diretamente do produtor, enfim, há uma gama de possibilidades para escolher um presente que traga uma história, cujo consumo alimente um outro tipo de economia.

Como tenho escrito sobre a Amazônia nos últimos posts, começo na mesma toada. Que tal dar presentes da floresta?

Em São Paulo, no Mercado Municipal de Pinheiros, há a possibilidade de montar uma cesta de Natal que valoriza os povos da floresta e seu futuro. Castanha do Pará das comunidades da Terra do Meio (PA), cestaria e cogumelos dos Yanomami, cerâmicas do Xingu, além de farinhas, pimenta Baniwa e uma série de outros itens. Os presentes da floresta podem ser adquiridos no próximo sábado, 08/12, em evento promovido pelo Instituto Socioambiental, Instituto ATÁ e selo Origens Brasil.

No dia 09/12, também em São Paulo, acontece um Bazar de pinturas Kayapó e artesanato indígena, com renda 100% revertida para as etnias participantes. São pinturas em canvas com tinta à base de jenipapo e carvão, dos Kayapó. E colares, pulseis e brincos de etnias do Xingu, além de bancos de madeira zoomorfos e utensílios de cerâmica.

Ainda na pegada da Floresta, aquele amigo louco por um bom café pode gostar do Café Agroflorestal Apuí, produzido de modo orgânico e sustentável por colonos assentados na cidade de Apuí, sul do Amazonas. Além de muito saboroso, esse café tem cultivo sustentável e contribui para um novo padrão de desenvolvimento para a Amazônia: é produzido em áreas parcialmente sombreadas e preservando árvores, ajudando a manter a floresta em pé e a proporcionar alternativas de renda para os colonos. O café está à venda em São Paulo, também no Mercado de Pinheiros, no Armazém do Campo e no Instituto Chão.

E ainda tem mais! Que tal dar de presente uma adesão ao Clube Farm? Isso mesmo, aquela marca carioca descolada e com uma pegada fresh e tropical. A Farm fechou uma parceria com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (IDESAM) que vai plantar cerca de cinco mil árvores nativas no sul do Amazonas, precisamente na cidade de Apuí, um dos municípios que mais sofre com o desmatamento na região. O cliente que assinar o Club Farm estará participando do plantio de uma muda. A assinatura mensal, que custa apenas R$ 10,00, beneficiará também a recuperação de uma área de floresta urbana em São Paulo, por meio da Fundação SOS Mata Atlântica, também com cinco mil árvores.

Para os apreciadores de um bom chocolate, produzido com cacau nativo da Amazônia, recomendo duas iniciativas que já abordei aqui no Conexão: o Na’kau e o Chocolate De Mendes. Ambos à venda no Mercado de Pinheiros, em São Paulo, e em lojas em Manaus e Belém.

Economia Solidária e produção coletiva

No dia 09/12 acontece também a Feira de Saúde Mental e Economia Solidária, na avenida Paulista, no Parque Mário Covas. Em versão especial de Natal, o evento traz 25 barracas com artesanato, roupas e alimentação, tudo produzido por coletivos da Rede de Saúde Mental.

Em São Paulo também continuam em funcionamento dois pontos de economia solidária, onde é possível adquirir a produção de grupos de economia solidária e saúde mental. O Ponto Butantã inclusive promove uma Feira de Economia Solidária e Feminista no próximo dia 08 de dezembro. O Ponto Benedito, que está localizado na Praça Benedito Calixto, é o outro espaço que concentra essa produção.

Nessa mesma pegada de comprar de quem faz, a feira Jardim Secreto tem edição especial de Natal, que acontece no dia 15/12. Também já contei um pouco sobre essa iniciativa aqui no Conexão. Ao todo, 180 produtores locais comercializam moda, acessórios, cosméticos, itens para crianças e pets, objetos decorativos, impressos, comidinhas deliciosas e orgânicos. Além de tudo isso, desde que foi realizada uma edição praticamente inteira dedicada a produtos da economia solidária, em todas as feiras Jardim Secreto há um espaço fixo temático para os grupos produtivos.

Para quem curte cozinhar, a dica é comprar alimentos direto do produtor. Em São Paulo há o Instituto Chão, o Instituto Feira Livre, as feiras de orgânicos do Ibirapuera, do Parque Burle Marx (essas duas vendem exclusivamente produtos vindos da região de Parelheiros, dentro da área do município de São Paulo, e acontecem aos sábados) e do Parque da Água Branca, também aos sábados. Dar uma cesta de produtos de presente também é opção, como a do Balaio Orgânico ou tantas outras que já se estruturam na cidade.

No Rio, a dica é colar nas atividades da Junta Local. No dia 09/12 tem feira em Botafogo, e no dia 16/12 na Gávea. A Junta também oferece cesta, chamada de Sacola Virtual. O lema da iniciativa é “ajuntando quem come e quem faz”. Nas feiras, é possível comprar hortaliças frescas direto com o produtor e também alimentos beneficiados dos mais diversos tipos.

Ainda no quesito comida, recomendo um giro no Armazém do Campo, em São Paulo, no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte. Produtos orgânicos vindos diretamente de assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra: hortaliças, grãos, cereais, café, sucos, pães, mel, cervejas, enfim. O espaço faz a ponte entre o campo e a cidade, oferecendo alimentos saudáveis e o resultado do trabalho dos campesinos.

Por fim, para terminar esse ano e adentrar o próximo, que vai exigir de nós ainda mais resiliência para a resistência, minha última dica de presente é a cerveja Guerrilheira. Também já falei dela por aqui, e continua sendo das minhas preferidas. Artesanal, elaborada por um coletivo, sem milho ou qualquer componente transgênico, a venda é direta ao consumidor.

Como essas iniciativas que eu listei, existem várias espalhadas pelo Brasil. Se você conhece alguma, deixe nos comentários e engrosse a nossa lista!

Foto: Pixabay/StockSnap

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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