Presente da nossa terra: a colheita!

cesta com colheita de frutas e legumes

Depois de escrever sobre as fases da lua, fiquei na dúvida à respeito do tema para este post.  Talvez eu tenha entrado num tópico fora de órbita e esteja tendo dificuldades em voltar ao planeta Terra. O fato é que a escolha de um assunto, pode ser uma guinada na ordem das coisas e trazer novas perspectivas. Fiz uma pequena revisão dos meus posts para ver se havia algum assunto ainda não mencionado. Percebi então que  ainda não me aprofundei à respeito da colheita, já que existe uma conexão entre o mês de maio, em que estamos, popularmente conhecido como o mês das noivas e pela celebração do Dia das Mães, e também com …. o cultivo da terra!

Nas tradições  ancestrais dos povos europeus, africanos, australianos e asiáticos, este mês é aquele em que se comemoram os tributos às deusas da terra, à seus frutos e à sua fertilidade. Através destes ritos, a Grande Mãe é reverenciada para que traga abundância e proteção para o próximo ano de trabalhos,  por isto a tradição de casar-se  neste mês. As noivas são as futuras mães, cheias de viço, prontas para o recomeço da vida. A comemoração do Dia das Mães também não é uma coincidência. A data, comemorada em quase todo o mundo neste mês,  coincide com o começo da primavera no Hemisfério Norte.

Se pararmos para pensar que é neste momento que agradecemos a terna acolhida ao nosso pequenino grão de vida, em que homenageamos às nossas mães, podemos estender esse amor primordial também ao nosso planeta, à nossa terrinha, mesmo que esteja guardada dentro de um vaso ou cercada  numa propriedade.

Portanto, faço aqui um convite para que você também homenageie a terra, nossa grande mãe, que nos alimenta e nos recolhe, depois que a vida se cumpre. Ela que nos aceita com todos os nossos mandos e desmandos, independentemente de estarmos certos ou errados.

A gratidão e o reconhecimento podem nos remeter à uma postura mais humilde e equilibrada, então para fechar esta pequena reflexão, vou falar sobre a colheita: presentes que nossa Mãe Terra nos dá.

Ao colher, lembre-se sempre de que você não é o único filho. Reparta e deixe sempre um pouco para a terra, pois ela se encarregará de compartilhar aquilo que você gentilmente cedeu com os pássaros, insetos e outros seres. Pense como se fosse o seu presente, fruto do seu trabalho.

Na colheita, assim como na semeadura, o tempo cronológico é o princípio que rege tudo. Na embalagem das sementes, o tempo de cultivo vem sempre informado, mas pode adiantar ou atrasar em uma ou duas semanas, dependendo da estação chuvosa. O rabanete, por exemplo, fica maduro para colher em 60 dias, serve até de sinalizador. Já a alface deve ser colhida no máximo em 120 dias após o plantio porque depois disso, começa a amargar (não servirá mais para comer e logo soltará um leite, na seiva das folhas, para alimentar o pendão floral, que nascerá no centro da planta, elevando-se até um metro de altura, dando pequeninas flores compostas -margaridinhas amarelas  -, que depois de bem secas, tornam-se novas sementes).

E assim, sucessivamente, a maturidade vai se extendendo na horta, no desdobramento das semanas, ou luas, se  você estiver seguindo o seu calendário lunar. Ocorrerão transformações com as folhagens, como salsa, rúcula e coentro, mas não há necessidade de se arrancar as plantas pelas raízes sempre, como se costuma fazer com as hortaliças do mercado. Pode-se colher as folhagens e frutos pouco a pouco, por semanas a fio, antes de se retirar todo o pé.

Faça a colheita folha a folha, pegando-as pela sua base e cortando-as com  uma tesourinha, ou até mesmo beliscando a haste com as unhas e torcendo-as num movimento delicado e cuidadoso, evitando assim, que a planta venha inteira, com raiz e tudo. Deixe a coroa de folhas mais novas do centro, para crescer e colher, na próxima semana. Novas folhas crescerão até que você tenha uma planta bem formada com folhas de vários tamanhos, sinal dela estar no apogeu, quando você terá que decidir se à deixará viver e completar seu ciclo, para virar matriz da nova geração ou colher pela última vez e comer tudo, inclusive o miolinho.

Para as hortaliças mais densas, como cenoura, beterraba, tomates, pepinos, feijões e abobrinhas, serão necessários 240 dias, ou seja, 6 meses, para que se formem as primeiras flores e frutos. Porém, até que estes amadureçam, podem levar mais cinco semanas. Isto vai depender das mudanças na temperaturas, da nova estação, do sol e da chuva. Tomates precisam de calor para avermelhar. Se colhidos verdes, podem levar até duas semanas para amadurecer, mas quando colhidos maduros do pé , tanto melhor! Docinhos! Sem falar que suas sementes germinam muito mais vigorosas! Ao colhê-los, gire o cabinho levemente. Se não romper facilmente, sinal que falta madurar, então, use tesoura para não machucar a planta. Caso todos os tomates do cacho estejam maduros, retire todo o cacho, pois com isto os tomates se preservarão por mais tempo.

Quando colher couve, faça da mesma forma: comece por baixo rodeando o caule principal, e retirando toda a haste da folha sempre com o uso de uma faca ou tesoura, para não correr o risco de abalar as raízes num puxão descuidado.

Na mesma semana que colher a alface, faça um procedimento chamado de amontoa na base dos caules das cenouras, beterrabas e rabanetes para cobrir o colo das plantas, que já estarão em processo de engorda. Depois de mais ou menos quatro semanas, quando as folhas centrais estiverem bem tenras e novas, junto com algumas amareladas na base, a cenoura estará no ponto. Pegue na base das folhas com bastante firmeza, sempre pelo fim da tarde, depois de regar. Este é o horário em que o fluxo de água no interior das folhas desce em direção às raízes. Agarre e puxe com firmeza. Voilà! Aí estará sua cenoura!

Semana que vem contarei um pouco mais sobre a colheita da berinjela, milho e de algumas ervas aromáticas, além de dar a dica de como aproveitar as velhas hastes de um cultivo para dar suporte para outro.

Até lá e boa semana!

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Foto: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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