Escola pública prepara novas gerações para uma vida mais colaborativa e coletiva

 

Imagine uma escola pública que abriga uma cidade fictícia, guiada pelos princípios da economia solidária, tendo a colaboração como ponto chave. Onde os alunos elegem seus governantes e vereadores, se associam em cooperativas, acompanham a economia e trabalham com compras públicas.

Essa experiência já está em curso na rede de ensino estadual da cidade de Diadema, no estado de São Paulo.

A Cidade Escola João Ramalho de Economia Solidária tem dinâmica própria, com atividades envolvendo trabalho e divisão de tarefas, legislação e moeda social – a JR. Mais de mil alunos do 6º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio estudam nas 36 salas de aula, que representam cooperativas com direção formada por presidentes, vice-presidentes e secretários e secretárias, eleitos pelos próprios alunos, e funcionam por autogestão – ou seja, as decisões são tomadas de forma coletiva.

As salas-cooperativas atuam na plantação de hortaliças, viveiros de mudas, organização interna, comunicação, compostagem e reciclagem. Cuidando das hortas – que produzem alface, almeirão e rúcula durante todo o ano -, limpando, adubando e regando canteiros, os estudantes aprendem sobre empreendedorismo, educação ambiental, alimentação saudável, e colaboram para o enriquecimento da merenda.

Além disso, a ‘cidade’ tem prefeito, vice-prefeito e vereadores eleitos, que tomaram posse no dia 17/04, na Câmara Municipal de Diadema. Os eleitos terão mandatos de dois anos e auxiliarão, pedagogicamente, na compra pública dos alimentos produzidos nas hortas, e farão o recolhimento de impostos. Os vereadores acompanharão o trabalho do executivo e poderão propor alterações na legislação municipal.

A proposta começou a funcionar na escola em 2016, com apoio do governo do estado. A iniciativa de implantação foi da Casa da Economia Solidária de Diadema, programa ligado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, que promove e incentiva empreendedorismo popular, cooperativismo e ações de cidadania que geram trabalho e renda por meio da Incubadora Pública de Empreendimentos Populares Solidários.

“O princípio da colaboração é o ponto chave do projeto, que tem na horta escolar sua principal atividade, mas a transformação das salas de aulas em cooperativas e a experiência que a Cidade Escola João Ramalho de Economia Solidária está trazendo é uma oportunidade primorosa para que os estudantes tenham de fato vivências e práticas de cidadania e de empreendedorismo”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Laércio Soares.

A equipe da Incubadora também já desenvolve trabalhos em 16 escolas municipais de nível Fundamental I, incluindo atividades como hortas, sarau e coral, sempre aplicando os princípios da economia solidária – que passou a fazer parte do Plano Municipal de Educação do município desde 2016.

Há planos de expansão do projeto. Outras escolas já procuraram a equipe da Casa da Economia Solidária para desenvolver o programa. No momento, essa iniciativa piloto está em fase de incubação, para amadurecimento e fortalecimento do projeto, e então passará a ser replicável em maior escala.

“É um projeto pioneiro no Brasil, que visa preparar as novas gerações para uma vida embasada nos conceitos da economia solidária. Queremos que eles sejam mais preocupados com o coletivo e preparados para lidar com as dificuldades, pois em breve o período regular de estudos termina, mas esperamos que com essa vivência a capacidade de ‘dar a volta por cima’ esteja presente na postura de cada um deles”, avalia Mônica da Silva Alves, da Casa da Economia Solidária. “Nossa proposta é criar multiplicadores desta política pública desde a escola, para que esses jovens já saiam do Ensino Médio preparados para empreender, além de difundir a economia solidária e aplicar conceitos de associativismo e empreendedorismo nas escolas”.

Foto: Marcos Luiz/Divulgação Prefeitura de Diadema

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas Eu Não Sou de Plástico e, em parceria com a SVB, a Segunda Sem Carne. Colaborou com a revista Página 22 da FGV e com a Unisol Brasil. Há 3 anos é coordenadora de comunicação da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas Eu Não Sou de Plástico e, em parceria com a SVB, a Segunda Sem Carne. Colaborou com a revista Página 22 da FGV e com a Unisol Brasil. Há 3 anos é coordenadora de comunicação da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

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