Premiação do Oscar celebra a inclusão e a diversidade

Premiação do Oscar celebra a inclusão e a diversidade

A mais importante festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, o Oscar, que aconteceu ontem (04/03), em Los Angeles, foi uma ode à maior participação das mulheres e de outras minorias no mundo do cinema.

O grande vencedor da noite foi o filme A Forma da Água, do diretor Guillermo del Toro, que mostra a poética história de amor entre uma mulher muda e um ser aquático, retirado à força de uma floresta tropical, onde os indígenas o tem como um deus.

2017 foi um ano marcado por escândalos e denúncias, após ter sido revelado que o produtor Harvey Weinstein teria estuprado ou assediado sexualmente mais de 50 mulheres. Depois dele, surgiram acusações contra outros diretores e atores. O movimento com a hashtag #MeToo teve milhões de compartilhamentos nas redes sociais. Mulheres do mundo todo resolveram quebrar o silêncio também e contar como foram assediadas.

Tanto na festa do Globo de Ouro, como na britânica Bafta, atrizes vestiram preto em sinal de apoio às vítimas do assédio e ainda, como forma de protesto, contra o comportamento inaceitável de seus colegas do sexo masculino.

Mas na noite do Oscar 2018 o que se viu foi o colorido do figurino das celebridades voltar à cena. Todavia, o discurso politizado continuou a subir ao palco. A ganhadora da categoria de Melhor Atriz, Frances McDormand, que fez o papel de uma mãe em busca de justiça pela morte da filha no filme Três anúncios para um crime, pediu que todas as mulheres indicadas em todas as categorias ficassem de pé.

“Todas nós temos histórias para contar e projetos para financiar. Não falem conosco sobre isso nas festas desta noite. Nos convidem para seus escritórios daqui uns dias. Ou podem ir aos nossos. O que for melhor. E contaremos tudo sobre eles. Tenho três palavras para deixar com vocês esta noite, senhoras e senhores: cláusula de inclusão“.

A “cláusula de inclusão”, a que a atriz se refere, faz parte de um movimento que pede que artistas estabeleçam, em contrato, que suas produções tenham diversidade de gênero e de raça.

Frances McDormand, em seu discurso, que pediu pela inclusão no cinema

As atrizes Ashley Judd, Salma Hayek e Annabella Sciorra, que estão entre as atrizes que vieram à público denunciar Harvey Weinstein, apresentaram um vídeo, em que apareceram imagens sobre os movimentos #MeToo e Time’s Up, este último, slogan de uma campanha para combater o assédio no ambiente de trabalho.

Outro momento especial da noite foi a premiação do Melhor Filme Estrangeiro, o chileno Uma Mulher Fantástica, de Sebastian Lelio, que fala sobre a história de uma transgênero. A atriz que interpretou o papel, Daniela Vega, se tornou a primeira transsexual a apresentar um Oscar.

Jordan Peele também é o primeiro negro a ganhar na categoria Roteiro Original, por Corra!, e James Ivory, aos 89 anos, o mais velho candidato a receber um prêmio – por Me chame pelo seu nome, na categoria Roteiro Adaptado.

Enfim, parece que Hollywood está mudando: viva a diversidade e a inclusão!

Fotos: divulgação/reprodução oscar.go.com 

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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