Preguiça e seu filhote são salvos na BR 367, perto de Porto Seguro

A cena da foto acima seria linda de apreciar, se não fosse tão perigosa. Note bem onde a mamãe preguiça está com seu filhote agarrado às costas: tentando atravessar uma rodovia. Mais precisamente a BR 367, no trecho que liga a cidade de Eunápolis a Porto Seguro, na Bahia. Mas essa história teve um final feliz graças à monitora de educação ambiental Priscila Gomes Ribeiro, que trabalha na reserva particular (RPPN) Estação Veracel, ali perto. Não estava trabalhando, mas voltava de uma atividade em campo.

Você pode imaginar o que aconteceria com os dois, caso ela não tivesse aparecido? E mais: se ela não soubesse exatamente o que fazer para salva-los? Mamãe e filhote poderiam ter morrido ou, no mínimo, serem machucados por pessoas leigas.

Isso sem contar outras questões que atropelamentos desse tipo acarretam, já que os condutores dos veículos também podem se machucar ou provocar acidentes ainda mais graves, envolvendo outros carros. Veja, no final deste post, notícias já publicadas, aqui, no site, sobre o tema.

A aventura de Priscila, que aconteceu ontem, domingo, pela manhã. E saiba o que fazer se você se deparar com situação igual ou parecida. Com certeza não é o que um policial fez com uma jiboia numa estrada de João Pessoa, como mostramos aqui. O caso ainda está sendo investigado pelo Ibama.

Voltando às preguiças, tomei conhecimento da história porque Priscila a relatou em sua página no Facebook, e ilustrou com duas imagens de ângulos um pouco diferentes, o que chamou ainda mais a atenção de seus amigos. Eu, entre eles. Uma das fotos ilustra este post e a outra está abaixo: dá pra ver melhor o perigo que corriam as preguiças na estrada.

Imagina se eu não ia parar para ler e entender o que esses bichos tão fofos estavam fazendo numa rodovia… Antes de ler o relato de Priscila, meu coração veio à boca, claro. Mas já nas primeiras frases que ela escreveu, soube que estava tudo bem com eles.

“Hoje, pela manhã, na BR 367, encontrei essa linda mamãe preguiça tentando atravessar a pista. Óbvio que eu parei para ajudá-la nessa travessia!”. Ufa!

De cara, já deu vontade de contar sobre esta aventura, aqui, no Conexão Planeta, mas assim que ela relatou a conversa com dois homens que também pararam para ajudar, a pauta ficou ainda mais interessante. E, aproveitando esta história linda, vamos falar sobre como qualquer pessoa deve proceder quando se vir numa situação como essa. Agora, acompanhe a conversa.

Um dos homens comentou:
– Ah, se eu pudesse, levaria a preguiça para o Espírito Santos! Tem uma mata lá que ela iria adorar…
Imediatamente, Priscila pensou: “Oi? Aqui não tem mata?”, mas respondeu tranqüilamente:
– Meu amigo, não faça isso! Só podemos transportar animais silvestres com autorização de um órgão ambiental!
Em seguida, o outro deu sua sugestão:
– Vamos levar para o Ibama!
E ela respondeu:
– Mas a preguiça não está ferida. Pra que tirá-la de seu ambiente natural?

Logo os dois perceberam que Priscila sabia do que estava falando, que estava preparada para atender situações desse tipo. E estava. Foi treinada pelo Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres), de Porto Seguro, ligado ao Ibama.

“As pessoas realmente não têm ideia de como proceder”, comentou. “E, na melhor das boas intenções, podem machucar o animal ou se machucar. É preciso evitar o contato físico porque, mesmo que ele não esteja machucado, pode transmitir alguma doença”. E outro detalhe importante: transportar animais silvestres sem autorização é crime!

Virgínia Londe de Camargos, coordenadora da RPPN Estação Veracel, acompanhou nossa conversa e completou: “O perigo para ambos – você e o animal – é real. A preguiça, por exemplo, se for transportada em uma caixa, pode ter sua musculatura atrofiada”. E continuou: “Lembro de uma história em que uma pessoa encontrou um mico desacordado na mata e o colocou em seu carro para tentar socorre-lo. Só que o animal acordou no caminho e, assustado, tentou ataca-la. Ela teve que abrir o vidro desesperada para que ele pudesse sair”.

Exato! A falta de informação pode colocar todos em risco. Mas, como ajudar, ao se deparar com uma situação como a vivenciada por Priscila ou encontrar um animal ferido, atropelado?

O ideal é chamar a polícia pelo 190. Rapidamente, você será encaminhado para a polícia ambiental.

Vale lembrar também que, a priori, a preguiça e seu filhote não representavam perigo, já que parecem animais dóceis e fofinhos. Mas, quando assustado, esse bicho usa suas garras para se fixar na superfície que estiver disponível. Neste caso, o filhote não desgrudava do corpo da mãe, de jeito nenhum! E Priscila só pode transportar os dois agarradinhos – “ah, não eram tão pesados, deviam pesar mais ou menos 5 quilos, não mais que isso!”, disse – porque tinha conhecimento e evitou que a mamãe a agarrasse.

No Facebook, ela descreveu este momento assim: “Peguei essas duas fofurinhas, atravessei a BR e coloquei-as em uma árvore onde, calmamente, a mamãe subiu. Meu coração explodiu de amor e emoção”. Parece fácil, mas sempre exige conhecimento, técnica e muito cuidado.

Agora, leia as notícias sobre atropelamentos que já publicamos neste site:
Atropelamentos de animais silvestres em rodovias do Mato Grosso só crescem. E também matam pessoas. Assine a petição!
Sistema de radar detecta animais e alerta motoristas para evitar atropelamentos
Antas ganharam coleiras luminosas para evitar atropelamentos nas estradas
Veículos automatizados poderão evitar atropelamentos de animais em rodovias

Foto: Priscila Gomes Monteiro

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Deixe uma resposta