Prefeitura de Hamburgo proíbe uso de cápsulas de café em prédios públicos

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Coloridas, charmosas, mas muito pouco sustentáveis. É isto que a prefeitura de Hamburgo, segunda maior cidade da Alemanha, pensa sobre as cápsulas de café, que se tornaram extremamente populares nas últimas décadas no mundo todo.

Recentemente o Departamento de Meio Ambiente e Energia de Hamburgo veio a público divulgar um guia de 150 páginas, em que detalha práticas sustentáveis que devem ser seguidas em repartições públicas da cidade. Entre elas, está a proibição do uso de cápsulas de máquinas de café. “Estas embalagens provocam a utilização desnecessária de recursos e geração de resíduos. As cápsulas não podem ser recicladas facilmente porque são produzidas por uma mistura de plástico e alumínio”.

E as autoridades de Hamburgo vão mais longe. “São 6 gramas de café e 3 gramas de embalagem. Nós, em Hamburgo, pensamos que isto não deve ser pago com o dinheiro dos impostos dos contribuintes”.

As cápsulas coloridas estão na mira dos ambientalistas já há algum tempo. Estima-se que a venda deste tipo de produto triplicou na Europa e Estados Unidos desde 2011. As máquinas de café estão presentes em 25% dos lares americanos e as cápsulas representam 1/3 de todo café comercializado naquele país.

Na Alemanha, onde aconteceu a proibição, as cápsulas são responsáveis por 25% do consumo de café. Apesar de algumas empresas, como a Suíça Nespresso, estimularam a reciclagem da embalagem por seus consumidores (elas podem ser entregues nas lojas), realmente poucas pessoas acabam devolvendo as cápsulas usadas.

“Na verdade, reciclar não ajuda. A reciclagem só deve ser feita quando todas as demais alternativas não funcionam. Há diversas outras maneiras, mais eficientes e melhores, de produzir café do que em cápsulas”, afirmou Jens Kerstan, secretário do Meio Ambiente e Energia de Hamburgo.

Não é só no Brasil que o café é uma paixão nacional. Dois bilhões de xícaras da bebida são consumidas por dia no mundo inteiro. Para atender esta demanda colossal pelo produto, 25 milhões de famílias trabalham na produção de grãos. Nos últimos 15 anos, o consumo global do café cresceu cerca de 43%.

Quem comemorou a iniciativa da prefeitura de Hamburgo foi a organização Kill The K-Cup, que luta pelo uso exclusivo de cápsulas de café que possam ser recicladas. O maior inimigo da iniciativa é a companhia americana Green Mountain Coffee, que produz as máquinas e cápsulas Keurig. De acordo com a Kill The K-Cup, em 2013, com o volume de embalagens produzido pela empresa, seria possível dar a volta ao Equador mais de dez vezes. A organização diz ainda que apenas 5% das atuais cápsulas da Keurig são fabricadas com plástico reciclado.

Assista abaixo ao divertido vídeo que a Kill The K-Cup produziu no ano passado, em que simula a invasão de uma nave alienígena feita com cápsulas de café:

 

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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