Prefeito do Rio tenta censurar gibi com história homoafetiva na Bienal, mas obra se esgota

Prefeito do Rio tenta censurar gibi com história homoafetiva na Bienal, mas obra se esgota

Para começar esta notícia, vou logo esclarecer. Não, o gibi não é para o público infantil. Mas mesmo que fosse, qual seria o problema? Vivemos novos tempos e a geração atual de crianças já convive, e bem, com uma realidade diferente: famílias modernas, compostas por dois pais, duas mães ou outras formações.

O que aconteceu é que, ontem (05/09), o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e alguns vereadores da Câmara Municipal tentaram censurar a história em quadrinhos, Vingadores – A Cruzada das Crianças, da Marvel Comics, em que aparece o casal de jovens namorados, Wiccano e Hulkling.

“Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinamos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores. Não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades”, escreveu Crivella nas redes sociais.

Segundo o prefeito, “a história em quadrinhos traz conteúdo sexual para menores e deve ser comercializada apenas se embalada em um plástico preto e lacrado, com aviso sobre seu conteúdo”.

Lançada já há alguns, a história, que não tem como foco o público infantil, foi escrita por Allan Heinberg e desenhada por Jim Cheung, e mostra os personagens se beijando e trocando carícias. Em nenhum outro país o gibi enfrentou problemas de divulgação.

Prefeito do Rio tenta censurar gibi com história homoafetiva na Bienal, mas obra se esgota

“A Bienal Internacional do Livro Rio, consagrada como o maior evento literário do país, dá voz a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser. Este é um festival plural, onde todos são bem-vindos e estão representados. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+. A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor”, informou a administração da Bienal em nota à imprensa.

Hoje pela manhã, a história em quadrinhos se esgotou no evento, realizado no Riocentro.

A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) do Rio também divugou a seguinte nota:

“A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) notificou, na tarde desta quinta-feira, dia 5, a organização da Bienal do Livro a adequar as obras expostas na feira aos artigos 74 a 80 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que preveem lacre e a devida advertência de classificação indicativa de conteúdo em publicações com cenas impróprias a crianças e adolescentes. Em caso de descumprimento, o material sem o aviso será apreendido e o evento poderá ainda ter a licença cassada”.

Vale ressaltar: crianças não precisam ser “protegidas” desse tipo de conteúdo. Precisam sim ser educadas e informadas pelos pais, familiares e escola, sobre tolerância e a necessidade de combate ao preconceito.

O amor é sempre válido, não importa que seja entre dois homens, duas mulheres, um homem ou uma mulher. Precisamos mesmo é proteger nossas crianças contra a violência! Que aliás, deveria ser uma preocupação maior para Marcelo Crivella, prefeito de uma cidade onde jovens morrem, frequentemente, vítimas de balas perdidas.

19ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO

Data: até domingo, 8/9
Local: Pavilhão de Exposições do Rio Centro
Endereço: Avenida Salvador Allende, 6.555 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro

*Com informações do portal de notícias UOL

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Imagens: reprodução internet/Marvel Comics

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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