Prefeito de Veneza diz que maior inundação dos últimos 50 anos é efeito da crise climática

Veneza

*Atualizado em 18/11/19

A mesma água que torna Veneza única é aquela que ameaça sua própria existência. Ao longo dos últimos séculos, uma das mais belas e admiradas cidades italianas vive sob a sombra das inundações. O pior temor é que, em algum momento, ela acabe afundando, sendo engolida pela força das marés e o aumento do nível do mar.

Esta semana Veneza enfrentou a pior enchente dos últimos 50 anos. A água, que tomou conta de ruas, casas, lojas, restaurantes e prédios históricos da cidade, atingiu 1,87 metros de altura (a previsão inicial é que o máximo fosse 1,40 m), e causou danos incalculáveis, sobretudo, a construções que fazem parte do Patrimônio Histórico da Humanidade.

Para o prefeito, Luigi Brugnaro, não há dúvida sobre a relação entre o desastre e o aquecimento global. “Agora o governo precisa escutar… Esses são os efeitos das mudanças climáticas… Os prejuízos serão enormes”, escreveu em seu Twitter.

O impacto maior foi na Praça de São Marcos, o ponto mais baixo de Veneza. A basílica, que também leva o nome do santo, ficou completamente inundada. É a sexta vez que isso acontece nos últimos 1.200 anos. Mas segundo os religiosos dali, as piores enchentes ocorreram nos últimos 20 anos.

Basílica de São Marco foi invadida pela água

Como a cripta da basílica ficou tomada pela água, há medo de que a estrutura da construção fique comprometida.

As aulas foram suspensas até que o nível da água baixe mais. Duas pessoas morreram por causa da inundação recorde, ambas moradores da ilha de Pellestrina. Uma delas eletrocutada por um choque elétrico.

A última vez que a água tinha atingido um nível tão alto foi em 1966, quando chegou a 1,94 m. Não se sabe, entretanto, se em séculos anteriores as inundações eram desse porte, já que as medições só começaram a ser registradas, oficialmente, em 1923.

A cidade de Veneza é composta por mais de 100 ilhas, dentro de uma lagoa, na costa nordeste da Itália.

A água chegou a 1,87 metro de altura

Segundo cientistas do clima, a enchente, conhecida como Acqua Alta, foi provocada pela maré alta da primavera, em conjunto com uma tempestade agravada por ventos fortes. E apesar de não ser 100% comprovada sua relação com a crise climática, certamente é notório que esses tipos de eventos extremos (secas, incêndios florestais, ondas de calor, furacões e inundações) têm aumentado em frequência e força devido as alterações do clima no planeta.

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*Mais de uma semana após a inundação recorde em Veneza, a água ainda não baixou na cidade italiana e a prefeitura fechou, por duas vezes, o acesso de moradores e turistas à Praça de São Marco, por medida de segurança. O governo declarou estado de emergência e calcula que os prejuízos provocados pela Acqua Alta já passam de 1 bilhão de euros.

*Com informações da BBC e The Guardian

Fotos: reprodução Facebook Comune Di Venecia

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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