“Praia Sem Bituca”: essa é a onda do verão no litoral catarinense

imagem da praia do rosa onde está sendo realizado o projeto praia sem bituca

Para quem adora praia (como eu), a imagem acima é o retrato mais fiel do paraíso. A fotografia é da Praia do Rosa, um pequeno reduto de surfistas e amantes da natureza no litoral de Santa Catarina.

De um lado está o oceano e de outro resquícios da Mata Atlântica. No verão, passam pelo Rosa quase 90 mil turistas. Nos dias frios de inverno, as rainhas do mar são as baleias-francas, que podem ser avistadas por lá.

Parece impossível estragar um lugar como este, certo? Errado. Se para mim e você é inconcembível jogar lixo na praia, infelizmente ainda existem pessoas que não se incomodam em deixar para trás garrafas, copos, canudos, embalagens de biscoitos e bitucas de cigarro na areia.

Para acabar com este comportamento lamentável, está sendo realizado na Praia do Rosa o projeto “Praia Sem Bituca”. Ao longo da areia, foram instaladas 11 bituqueiras próximas às entradas de acesso à praia e junto às lixeiras. Promotores também conversam com os turistas para conscientizá-los sobre o problema.

Em pouco menos de um mês de projeto, já foram coletadas quase 60 mil bitucas de cigarro. Apenas nos dias do Reveillon foram 44 mil. “Com a vinda dos turistas aumenta a produção de resíduos e há também uma certa irresponsabilidade quanto ao descarte. As pessoas estão em férias e por não estarem em sua cidade, acabam não dando tanta importância ao descarte correto”, diz Flavio Costaleites, diretor da Eco Prática, empresa responsável pela iniciativa, ao Conexão Planeta.

Mas não há desculpa. Lugar de bituca é no lixo. Se o fumante acredita que o descarte de uma pequena bituca não gera impacto ambiental, ele está muito enganado. “A bituca é um resíduo poluente, não biodegradável e sem valor comercial, inviabilizando a coleta por parte de associações de catadores, carrinheiros ou outras afins”, explica Costaleites.

Estudos afirmam que as bitucas podem conter mais de 4 mil substâncias químicas. Duas bitucas na água poluem o mesmo que um litro de esgoto, sendo consideradas microlixo tóxico. “Não jogar bituca no chão não apenas mantém a praia mais limpa, mas evita a morte de animais como cetáceos, tartarugas, aves marinhas, golfinhos e peixes, que já se encontram em perigo por causa de outros vários tipos de lixo jogados nos oceanos”, ressalta. Estima-se que no Brasil sejam descartadas em torno de 200 milhões de bituca por dia.

Um dos principais diferenciais do “Praia Sem Bituca” é que as bitucas não serão simplesmente descartadas. Os resíduos de cigarro são encaminhados para a geração de energia na produção de cimento. Costaleites explica: “As bitucas passam por um procedimento chamado coprocessamento e são colocadas na produção de blending (mistura, em português), que vai ser usada nas fornalhas. Com seu valor colorífico, se transformam em energia, e substituem o carvão mineral”.

bitucas recolhidas na Praia do Rosa

Bituqueiras na Praia do Rosa, onde já foram coletadas quase 60 mil bitucas até o momento

O projeto tem o apoio de diversas empresas e associações locais. O Rosa faz parte do municipio de Imbituba e tem 44 mil habitantes, que primam pela preservação da praia. Mas com a chegada do verão, calcula-se que a população quase dobre. Apesar do turismo ser a principal fonte de renda por lá, os moradores sofrem com o que é deixado para trás. Além de bitucas, latas e garrafas são os resíduos mais comuns encontrados na areia.

“Praia Sem Bituca”chega a outras localidades

Além da Praia do Rosa, o “Praia sem Bituca” está sendo realizado agora em Ferrugem, em Garopaba, e em breve, chegará à capital, Florianópolis.  A iniciativa acontecerá até o final da temporada de verão.

O projeto do litoral catarinense não é o primeiro da Eco Prática. A empresa já tinha feito uma parceria com a prefeitura de Porto Alegre, onde foram instaladas também diversas bituqueiras na cidade.

A capital gaúcha é a campeã brasileira em número de fumantes. Todos os dias são descartadas lá aproximadamente 5 milhões de bitucas, ou seja, 1,8 trilhão por ano!

Além de sensibilizar os fumantes, o “POA Sem Bituca” tem como objetivo aplicar o conceito de responsabilidade compartilhada, logística reversa e cidadania em relação ao destino correto de resíduos.

Em seis meses de projeto, foram recolhidas 500 mil bitucas nas ruas de Porto Alegre. Este é um ótimo exemplo para ser levado para todos os municípios brasileiros. Afinal, nem rua e nem praia são cinzeiros!

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Foto: Guiri Reyes/creative commons/flickr (Praia do Rosa) e divulgação Eco Prática (bituqueiras)

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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