Portugal proíbe publicidade de alimentos ricos em açúcar, sal e gordura em locais frequentados por crianças

Portugal proíbe publicidade de alimentos ricos em açúcar, sal e gordura em locais frequentados por crianças

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já considera a obesidade uma epidemia global. No mundo inteiro, ela triplicou desde 1975. E infelizmente, essa realidade se reflete no universo infantil.

Em 2016, 41 milhões de crianças, com menos de 5 anos, estavam obesas ou acima do peso recomendado. Já quando se analisa a faixa etária entre 5 e 19 anos, esse número pula para 340 milhões.  

Em Portugal, 30% das crianças e adolescentes enfrentam problemas com a balança. Para ajudar esses jovens a mudar seus hábitos alimentares e começar a ingerir comidas mais saudáveis, a Assembleia Legislativa do país aprovou uma lei que proíbe a publicidade de alimentos ricos em açúcar, sal e gordura saturada em locais frequentados por menores de 16 anos.

Entre os alimentos citados no texto estão junk food, biscoitos, refrigerantes e doces.

A propaganda ficará banida em eventos esportivos e culturais infantis, parques e a uma distância de 100 metros de escolas. A publicidade também está vedada em programas de rádio e televisão, que tenham como público as crianças. O mesmo vale para os cinemas, com exibição de filmes para menores de 16 anos.

As multas para quem não obedecer à nova lei são altas. Variam entre R$ 8 mil e R$ 16 mil. Para aqueles reincidentes, o valor pode chegar a até R$ 195 mil.

A discussão sobre a alteração do Código de Publicidade, em Portugal, já estava em discussão há três anos.

A obesidade no Brasil

No ano passado, divulgamos aqui o estudo de um pesquisador brasileiro, em colaboração com a Harvard University, que apontava como o impacto do consumo de alimentos altamente calóricos, com quantidade elevada de açúcar, sal e gordura estava diretamente relacionado ao aumento de risco para 14 tipos de câncer. O levantamento afirmava que o excesso de peso e a obesidade respondiam por 15 mil casos de câncer por ano no Brasil.

Dados divulgados pela Federação Mundial de Obesidade, em outubro de 2017, indicaram que 20% dos adultos brasileiros têm problemas com a balança: eles estão acima do peso ou obesos.

Nos próximos oito anos, este porcentual deverá chegar a 25%, ou seja, ¼ da população adulta do país estará com sobrepeso, com uma propensão muito maior de sofrer problemas no fígado, cardíacos, derrames e diabetes, além de uma série de outras doenças.

O Brasil aparece no 6o lugar entre os dez países que terão os maiores gastos relacionados com o aumento descontrolado da obesidade no mundo e os custos para tratar as consequências dele.

Em primeiro lugar na lista estão os Estados Unidos. China, Alemanha, Rússia e França são as demais nações no topo do ranking.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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