Porto Alegre abriga 21ª edição de feira estadual de economia solidária

A cidade de Porto Alegre volta a abrigar a Feira Estadual Popular de Economia Solidária do Rio Grande do Sul, já em sua 21ª edição. O centro histórico da capital gaúcha reúne 475 expositores, vindos de 37 municípios, que representam quase duas mil famílias.

Produtos de artesanato, moda, agricultura familiar e alimentação estão entre os encontrados na Feira, que acontece no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público de Porto Alegre, de 1 a 7 de dezembro. Entre os itens alimentares, encontram-se queijo, vinhos e sucos orgânicos, cerveja artesanal, cachaça, erva mate, massas, biscoitos e pães.

São 121 estandes voltados a artesanato e confecção, 20 de agricultura familiar e três de alimentação. A programação inclui ainda a realização de oficinas e rodas de conversa.

A Feira integra o calendário anual de Porto Alegre e busca fortalecer a produção e comercialização de itens que fomentam o comércio justo e solidário e a geração de renda sustentável, além de promover o contato direto com os produtores da economia solidária.

Um dos empreendimentos participantes é a Justa Trama, sobre a qual já escrevi aqui no Conexão Planeta, e que é composta por empreendimentos solidários envolvendo cerca de 700 trabalhadores em cinco estados do Brasil, numa cadeia ecológica que tece peças em algodão.

Homens e mulheres, agricultores, coletores de sementes, fiadoras, tecedores e costureiras formam essa rede, que trama belas roupas em algodão agroecológico. Mas não só. Acessórios, brinquedos, biojoias, jogos pedagógicos, produtos corporativos como camisetas e sacolas, e até sapatos completam o escopo de produtos oferecidos.

A Cooperativa Central Justa Trama é uma cadeia produtiva que se inicia no plantio do algodão agroecológico, passa pela tecelagem, criação e costura, e segue até a comercialização das peças produzidas, envolvendo economia solidária e comércio justo.

Rio Grande do Sul tem tradição em cooperativismo

Desde o início do século XX o estado do Rio Grande do Sul desenvolveu uma grande tradição em cooperativismo e associativismo, com crescimento importante do número de empreendimentos coletivos nos anos de 1960 e 1970. A identificação desses grupos com a economia solidária se dá majoritariamente a partir dos anos 1990, por meio de experiências de instituições que buscavam opções de renda e organização cidadã para setores mais empobrecidos, cuja exclusão era aprofundada pela crise econômica da época.

A Feira Estadual de Economia Popular Solidária do Rio Grande do Sul é realizada desde 2005 no Largo Glênio Peres. O evento, que possui na sua composição um grande número de mulheres, começou a ser realizado em 1995 na Usina do Gasômetro onde permaneceu por uma década.

A movimentação e atuação dos empreendimentos e outras entidades vinculadas à economia solidária culminou na criação da Política Estadual de Fomento à Economia Popular Solidária no Estado do Rio Grande do Sul em 2010.

A 21ª edição da Feira Estadual é realizada pela Avesol, Unisol RS, Rede ITCPs RS, Fetraf/RS, Fórum Gaúcho de Economia Popular Solidária, Fóruns Regionais (Central, Noroeste Colonial, Metropolitano, Passo Fundo, Serra). Os apoiadores da iniciativa são Cáritas RS, Patuá Comunicação Solidária, FLD e a Prefeitura de Porto Alegre.

Foto: Justa Trama

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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