População de elefantes africanos foi reduzida em 30% nos últimos anos

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Imagens (de carcaças) e dados chocantes divulgados esta semana revelam o declínio alarmante dos elefantes que habitam as savanas africanas. Entre 2007 e 2014, houve uma redução de 30% na população do maior mamífero terrestre do planeta. Isso significa que aproximadamente 144 mil elefantes foram mortos neste período, sobretudo, por causa da caça criminosa para a retirada do marfim de suas presas para alimentar o comércio (ilegal) da Ásia. A China – vergonhosamente – é o país que mais compra marfim no mundo.

Os números acima fazem parte do Great Elephant Census, maior levantamento internacional realizado nas últimas quatro décadas. Elaborado pela organização Elephants Without Borders e financiado por Paulo G. Allen (filantropista e cofundador da Microsoft e da Vulcan Foundation), o projeto teve a parceria de diversas entidades ambientais, entre elas, a African Elephant Specialist Group da Conservação Internacional. O esforço envolveu o trabalho de mais de 90 cientistas.

O levantamento indica que a média anual de declínio de elefantes é de 8% e ela acelerou muito recentemente. O número total de animais contabilizado, nos 18 países monitorados, foi de pouco mais de 352 mil. Destes, 84% foram avistados em áreas de proteção, enquanto os demais 16% estavam fora delas. Mesmo assim, um volume muito grande de carcaças foi encontrado em áreas protegidas, o que indica que os elefantes estão sendo mortos mesmo dentro destes locais, onde a princípio, deveriam estar a salvos. Camarões, Moçambique, Angola e Tanzânia foram os países onde mais foram observadas carcaças.

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Todo o mapeamento do censo foi feito por pequenos aviões, que voando em baixa altitude, percorreram aproximadamente 463 mil km para obter os números agora divulgados. Esta foi a primeira grande pesquisa realizada na África para contagem de elefantes e informação sobre sua distribuição no continente. Segundo os cientistas, em alguns países africanos, um levantamento sobre o número de animais não era feito há mais de dez anos. Os poucos realizados não possuiam metodologia padronizada e nem processo de validação independente.

O objetivo do Great Elephant Census é dar ferramentas para governos e organizações de proteção aos animais para, juntos, delinearem estratégias para poder salvar o elefante africano da extinção. Estima-se que no século 19, havia 12 milhões deles na África.

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“Se não pudermos salvar os elefantes africanos, qual será a esperança de conservação para a vida selvagem no continente?”, questionou Mike Chase, principal pesquisador do censo e fundador da Elephants Without Borders. “Tenho esperança que, com as ferramentas certas, pequisas, esforços de proteção e vontade política, conseguiremos preservar os elefantes por muitas décadas ainda”.

Nos próximos meses, a Vulcan Foundation lançará dois documentários sobre a vida dos elefantes. Eles fazem parte do esforço para chamar a atenção mundial sobre o risco de as futuras gerações não conhecerem o maior mamífero terrestre do planeta.

Assista abaixo ao trailer de Naledi: a baby’s elephant tale:

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Fotos: divulgação Great Elephant Census

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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