Poluição química nos oceanos pode matar 50% da população das baleias orcas


Poluição química nos oceanos pode matar 50% da população das baleias orcas

Entre os leigos, ela é mais conhecida como orca. Já para os biólogos, é a killer whale (baleia assassina, em inglês). A origem deste último nome é baseada na observação de cientistas, que notaram que o animal caça outros tipos de baleias.

Apesar de ser chamada de “baleia”, a orca (Orcinus orca) é um cetáceo, que pertence à família dos golfinhos, sendo o maior deles.

Agora, este gigante dos mares pode ter sua população reduzida pela metade nos próximos 100 anos. A previsão é de um grupo de cientistas de instituições internacionais, que publicou um artigo recentemente na revista Science. 

Os pesquisadores alertam que, como a orca é uma espécie no topo de sua cadeia alimentar, ela sofre maior impacto com a contaminação de bifenilos policlorados (PCBs), também conhecidos como ascarel. Por volta da década de 30, a substância química começou a ser muito utilizada na indústria de componentes elétricos, plástica e de tintas. Todavia, descobriu-se que o PCB era altamente tóxico e cancerígeno e seu uso foi banido há mais de 30 anos. Apesar disso, o ascarel ainda está presente no meio ambiente e continua vazando para os oceanos e contaminando a cadeia alimentar.

O que os cientistas do artigo da Nature fizeram foi analisar a quantidade da substância tóxica encontrada no corpo de 351 orcas. E o resultado foi chocante. Na maioria delas, a concentração era 100% maior daquela considerada segura. O pior de tudo, é que ao amamentar seus filhotes, as baleias também os contaminam através do leite.

“É como um apocalipse para as orcas”, disse Paul Jepson, pesquisador da Zoological Society of London e um dos autores do estudo, em entrevista ao jornal inglês The Guardian. “Mesmo sob condições pristinas, essas baleias se reproduzem muito lentamente”.

O especialista explica que em média, uma fêmea saudável leva 20 anos para atingir a maturidade sexual e a gestação é de 18 meses.

Entre os efeitos do PCB sobre o animal, estão alterações nos órgãos reprodutores, no sistema imune e o desenvolvimento de tumores cancerígenos.

Ainda segundo o estudo, as regiões onde as orcas correm maior risco são em Gibraltar, perto da costa da Espanha, Reino Unido, Japão, Brasil e próximo ao Pacífico. A situação nestes locais foi considerada de “colapso total”.

O único lugar onde as orcas estão mais protegidas é no extremo norte, próximo ao Ártico, ao longo do Canadá, Islândia e Noruega, onde os níveis de PCB são bem menores.

Infelizmente, não é somente a ameaça química que pode fazer com que 50% das orcas desapareçam do planeta. O aumento da poluição sonora nos oceanos e a sobrepesca, que está levando à extinção alguns de seus principais alimentos, como o atum e os tubarões, também são responsáveis pela redução nos números das Orcinus orca.

Quem é a baleia orca?

Entre os leigos, ela é mais conhecida como orca. Já para os cientistas, é a killer whale (baleia assassina, em inglês). A origem deste último nome é baseada na observação de cientistas, que notaram que o animal caça outros tipos de baleias.

Apesar de ser chamada de “baleia”, a orca (Orcinus orca) é um cetáceo, que pertence à família dos golfinhos – o maior deles, por isso mesmo, suas características físicas são bastante semelhantes com a de seus primos. Como outros cetáceos, elas podem ser identificadas individualmente pelos cientistas por causa de marcas naturais e diferenças no tamanho e formato das nadadeiras.

Os machos geralmente são maiores que as fêmeas. As orcas chegam a medir entre 5 a 9 metros de comprimento e podem pesar até 5.400 kg. Até hoje, o maior macho já achado media 9,8 metros e tinha mais de 9 kg.

O ciclo de vida das orcas é muito similar ao dos humanos. As fêmeas atingem a maturidade por volta dos 15 anos (mas os pesquisadores do Center for Whale Research já registraram o nascimento de um filhote de orca de apenas 11 anos). O período de gestação dura entre 15 e 18 meses e em geral, nasce um filhote a cada cinco anos. O indíce de mortalidade é muito alto: entre 37% e 50% deles morrem antes de completar o primeiro ano de vida.

A longevidade das orcas fêmeas é de 50 anos, todavia, muitas delas chegam a viver até os 100. Atualmente, J2 é a baleia mais velha sendo acompanhada pelos pesquisadores americanos. Ela tem 103 anos. Já os machos, vivem bem menos. Soltos na natureza, eles chegam aos 29 anos, podendo atingir, entretanto, 50 ou 60. Mas quando são presos em cativeiro, estes animais perdem quase 25 anos de sua vida.

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Fotos: Brodie Guy/Creative Commons/Flickr (abertura) e domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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