Plataforma sobre Biodiversidade reune dados de pesquisas para orientar políticas ambientais no país

Atualizada em 21/5/2018

A distância – em alguns casos, abismal – entre Ciência e decisões e políticas ambientais está por um fio. Para tornar menos árido esse caminho, a Fapesp, por meio de seu Programa Biota*, lançou em 21/2/2017, em sua sede em São Paulo, a Plataforma Brasileira sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (PBBSE).

Trata-se de uma base de dados de pesquisas que resulta em um diagnóstico inédito e deve integrar e consolidar informações científicas de todo o Brasil. Ela está focada, principalmente, na importância dos serviços ecossistêmicos para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Um ótimo exemplo é a Mata Atlântica: sua biodiversidade protege os recursos hídricos de cerca de 130 milhões de brasileiros, além de manter alta diversidade de polinizadores, imprescindíveis na produtividade agrícola do país.

“Pretendemos cobrir a lacuna de dados com a participação de cientistas de todas as regiões do Brasil, trabalhando para que sejam considerados elementos para o planejamento do desenvolvimento sustentável no país e no mundo”, diz Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador da PBBSE e co-chair do Painel Multidisciplinar de Especialistas, da PIBSE.

Para criar esse diagnóstico, são utilizados conceitos, metodologias e indicadores de quatro outros diagnósticos regionais – Américas; África; Ásia e Pacífico; e Europa e Ásia Central – desenvolvidos por uma entidade internacional, a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Sistêmicos (PIBSE), criada em 2012 com o mesmo objetivo da lançada agora, só que em nível planetário. Todos esses dados servirão de base para o Diagnóstico Global que será publicado em 2019.

“Dados ambientais de alta qualidade produzidos em todas as regiões do Brasil estão reunidos principalmente no Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que desenvolve o SiBBr (Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira), e no Ministério do Meio Ambiente (MMA), mas também estão dispersos em outros ministérios e instituições”, ressalta o pesquisador, que também é coordenador do Programa Biota/FAPESP*. Por isso, a coordenação da Plataforma Brasileira tem promovido reuniões com representantes do governo federal em diferentes ministérios, de ONGs e do setor empresarial.

Em ação anterior do Biota/Fapesp, chegou-se à implementação do zoneamento agroambiental no setor de açúcar e álcool, à identificação de áreas prioritárias para conservação e restauração da biodiversidade e também à utilização da base científica para aperfeiçoar a legislação ambiental no estado de São Paulo.

Assim, a Plataforma Brasileira foi criada para suprir as mesmas necessidades que levaram cientistas de São Paulo a criar, em 1999, o Programa Biota/Fapesp e seu Sistema de Informação Ambiental (SinBiota). Este sistema relaciona informações dos pesquisadores com uma base cartográfica digital sobre a biodiversidade paulista e, em seguida, divulga esses dados para a comunidade científica, educadores, tomadores de decisão e formuladores de políticas ambientais.

A Plataforma Brasileira sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos reúne 28 pesquisadores – entre eles, o biólogo José Sabino, autor do blog Sapiens e Outros Bichos, aqui, no Conexão Planeta – de diversas instituições de todas as regiões do país, especializados em ecologia da conservação, economia ecológica, conhecimento tradicional e desenvolvimento sustentável. Parte dos cientistas responsáveis por sua estruturação e coordenação está envolvida em diversos grupos de trabalho da plataforma internacional.

Este grupo faz parte da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e tem o apoio do MCTIC, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), do Programa Biota/Fapesp e da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

*Programa Biota/Fapesp – Programa de Pesquisa em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade.

Foto: Eduardo Aigner

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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