Plataforma conecta agricultores familiares ao consumidor em Manaus

Iniciativas que levam o consumidor a comprar diretamente dos produtores rurais ou de quem beneficia alimentos sempre me interessam muito. Porque é um modo de você valorizar o trabalho dessas pessoas, pagando um preço mais justo a elas – eliminando atravessadores – e uma oportunidade tremenda de conhecer melhor quem cultiva o alimento que a gente consome.

Isso não é trivial. No mundo corrido de hoje, em especial em grandes centros, a tendência é darmos cada vez menos atenção ao que comemos, vendo esse momento apenas como mais um ato de consumo, dentre tantos que fazemos todos os dias. Nem preciso dizer que ter atenção ao que comemos, buscar colocar comida mais saudável e fresca no prato, faz uma baita diferença na nossa saúde.

Já trouxe aqui, no Conexão Planeta, algumas iniciativas nesse sentido, como o Sumá, a Junta Local, o Balaio Orgânico, entre outras. Hoje, apresento a Onisafra, plataforma que opera em Manaus, mas já começa a se expandir para outras cidades e estados brasileiros.

Idealizada por Macaulay Souza de Oliveira quando ainda cursava engenharia agronômica em 2015, o projeto começou buscando conectar os pequenos produtores com grandes cadeias de compradores – supermercados, distribuidores, cozinhas industriais, restaurantes. O pilar de gerar mais renda para os agricultores encontrou aqui uma barreira: a política agressiva de compras das grandes redes de supermercados.

Macaulay passou então a visitar e promover feiras para entender melhor a relação que se estabelecia entre produtor e consumidor final, e logo desenvolveu esse modelo de negócios, que começou em 2016 e hoje está rodando e já em expansão.

“A Onisafra é uma plataforma que gerencia a conexão dos agricultores com o consumidor final e possibilita também a criação de multilojas. Qualquer grupo de agricultores ou organizações que ajudam agricultores podem criar sua própria loja dentro da nossa plataforma, e o consumidor consegue comprar diretamente deles. Atualmente temos duas lojas dentro da nossa plataforma em Manaus: uma da cadeia produtiva do pirarucu, em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável –  que desenvolve um trabalho junto com os manejadores do pirarucu na região de Mamirauá – e outra que reúne agricultores vinculados a uma feira, em parceria com a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, órgão do governo que ajuda na comercialização agrícola. Participam desta feira pelo menos dez famílias de agricultores. Já a loja do pirarucu envolve manejadores daquela região, então o ciclo é muito maior e o impacto é direto para eles”, descreve.

Está nos próximos passos da Onisafra a abertura de mais três comunidades em Manaus, uma delas de orgânicos, mobilizando inicialmente dez famílias de agricultores. Com isso, só na capital do Amazonas a plataforma passa a trabalhar com até 50 famílias de pequenos produtores.

A Onisafra também chegará a Belém (PA) nos próximos meses, quando serão lançadas lojas em parceria com a Associação Pará Orgânicos e um grupo de agricultores de uma cidade próxima à capital, envolvendo 20 famílias.

E não para por aí. A Onisafra já está em São Paulo, capital, trabalhando em parceria com a microempresa Enjoy Alimentação Orgânica, envolvendo produtores da zona rural em Parelheiros, sul da cidade. E também em Sorocaba, em parceria com uma microempresa e uma cooperativa agrícola que fornece saladas montadas.

“Trabalhamos com pequenos e médios agricultores, baseados em cadeias produtivas de frutas, hortaliças e verduras. Na região norte, atuamos também com a cadeia da agrobiodiversidade, por isso temos muitos produtos nativos. Estamos buscando ganhar escala. Já observamos, com os resultados até agora, que temos um potencial de aumentar o faturamento desses agricultores em até 30%”, avalia Macaulay.

Outros impactos são já observados por ele. O modelo gera economia para o agricultor, já que ele colhe apenas aquilo que já está vendido e evita o desperdício, deixando por mais tempo na terra os alimentos que podem esperar um pouco mais para serem colhidos.

Macaulay observa também que muitos consumidores, especialmente em Manaus, não entendem sazonalidade e nem conseguem diferenciar o que é produzido localmente e o que vem de outros lugares. É o que faz, por exemplo, não saberem por que não encontram maçãs ou uvas para comprar ao longo de todo o ano, por exemplo. “Mas é possível substituir. Não tem tomate? Experimente o cubiu! Essa aproximação permite que os consumidores entendam melhor a sua região e comprem produtos mais frescos, saudáveis e com rastreabilidade, porque sabem quem produziu. E para os agricultores é boa essa relação, porque eles entendem melhor a demanda do mercado”.

Foto: Onisafra/divulgação

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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