Planeta perdeu 12 milhões de hectares de florestas tropicais em 2018. Brasil foi o país que mais desmatou

Planeta perdeu 12 milhões de hectares de florestas tropicais em 2018. Brasil está no topo do desmatamento

No ano passado, foi destruída uma área de florestas tropicais equivalente ao território da Inglaterra, ou ainda, uma comparação mais chocante: cerca de  30 campos de futebol por minuto.

As informações fazem parte de um estudo, com dados da Universidade de Maryland*, nos Estados Unidos, e divulgado ontem (24/04), pelo Global Forest Watch, uma iniciativa do World Resources Institute (WRI).

Os números apresentados representam a quarta maior perda florestal anual observada, desde que os registros começaram a ser feitos pelo instituto, em 2001.

Segundo o levantamento, 12 milhões de hectares de florestas tropicais foram destruídos. Quase 1/3 delas eram primárias.

E esta é a maior preocupação – e o grande alerta – dos pesquisadores. 3,6 milhões de hectares desse tipo de floresta vieram abaixo.

Florestas antigas ou primárias são um ecossistema de florestas crucialmente importante, contendo árvores que podem ter centenas ou até, milhares de anos. Elas armazenam mais carbono do que as demais florestas e são insubstituíveis quando se trata da manutenção da biodiversidade. As florestas tropicais primárias fornecem habitat para animais que vão de orangotangos e gorilas das montanhas até onças e tigres. Depois que essas florestas são derrubadas, elas podem nunca mais retornar ao seu estado original”, explica o estudo.

Infelizmente, o Brasil aparece como o principal responsável pela perda de florestas tropicais primárias em 2018. A destruição chegou a mais de 1,3 milhão de hectares. A grande maioria dela aconteceu na Amazônia.

Depois do Brasil, aparecem no ranking de perda árborea República Democrática do Congo, Indonésia, Colômbia e Bolívia.

O exemplo da Indonésia

O levantamento ressalta, entretanto, que em 2002, a situação era ainda pior. Apenas Brasil e Indonésia contabilizavam juntos, por 71% da destruição. Ou seja, houve uma queda nessa porcentagem na última década. Mas ela não se deve a esforços brasileiros.

Recentemente, devido a incêndios florestais, nosso país teve picos de perda de florestas em 2016 e 2017. Mas fora isso, a expansão da agropecuária no Cerrado e na Amazônia, sem uma fiscalização eficaz dos órgãos governamentais nos últimos anos, impulsionou as taxas crescentes da desmatamento.

Por outro lado, a Indonésia teve, em 2018, seu mais baixo nível de perda florestal primária desde 2003. Para os pesquisadores envolvidos no estudo, a melhora nos programas de conservação ambiental se deve ao governo daquele país. “A Indonésia já se beneficia financeiramente desse declínio. Em fevereiro, a Noruega anunciou que compensará o país pela redução das suas emissões relacionadas ao desmatamento como parte de uma parceria Clima e Floresta, que ambos assinaram em 2010”.

Os especialistas do World Resources Institute ressaltam que o aumento da perda de cobertura florestal no Brasil ocorreu antes do atual governo, por isso, será necessário esperar para ver como a flexibilização das leis ambientais, anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro e seus ministros nas pastas do Meio Ambiente e da Agricultura, irá impactar no desmatamento nos próximos meses.  

*Os autores do estudo do Global Forest Watch explicam que os dados anuais de perda de cobertura arbórea da Universidade de Maryland foram diferentes, nos últimos anos, daqueles do PRODES, sistema oficial de monitoramento do Brasil. Apesar de os dois sistemas parecerem contraditórios, na verdade, eles medem dois tipos diferentes, mas importantes, de mudanças nas florestas. O PRODES foca na grande derrubada de florestas primárias na Amazônia, enquanto os dados da universidade americana registram a perda em toda a cobertura arbórea, incluindo florestas secundárias, a degradação florestal por incêndios e perdas pequenas de até 0,1 hectare. A Universidade de Maryland também usa janeiro a dezembro para registrar perdas, enquanto o PRODES utiliza agosto a julho. 

Foto: Mokahmad Edliadi/Cifor/Creative Commons/Flickr (abertura – vista aérea de floresta de Bokito, em Camarões) e gráficos divulgação WRI

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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