Planeta perde 60% dos animais vertebrados selvagens em menos de 40 anos, diz estudo do WWF

Florestas tropicais estão desaparecendo, como a Amazônia que já perdeu quase 20% de sua cobertura (o desmatamento continua sendo um gravíssimo problema, por causa da pressão dos produtores de soja, óleo de palma e da pecuária). Este ritmo cresceu 20% de 2014 a 2016 em relação aos 15 anos precedentes. De 2000 a 2014, perdemos 920 mil km2 de matas virgens, área equivalente à da França e da Alemanha somadas. Cerca de 75% das terras do planeta já foram impactadas pela ação humana: a quantidade de biodiversidade original caiu de 81,6%, em 1970, para 78,6%.

Alerta vermelho também para a acidificação dos oceanos e o nível das reservas de água doce. No século 20, os peixes de água doce tiveram a maior taxa de extinção entre os vertebrados do planeta e quase 6 milhões de toneladas de peixes e outros frutos do mar foram retirados dos oceanos desde 1950. Atualmente, 90% dos pássaros marinhos têm fragmentos de plástico no estômago. E o mais aterrador: de 1970 a 2014 – menos de 50 anos!! -, o número de vertebrados selvagens (mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios) caiu 60%. O habitat de mamíferos diminuiu cerca de 22%; e, para diversas espécies, o risco de extinção só tem acelerado.

Estes são algumas das informações terríveis reveladas pelo importante relatório Planeta Vivo 2018 (Living Planet Report), lançado hoje pela rede mundial do WWF – World Wide Fund for Nature (Fundo Mundial para a Vida Selvagem e Natureza). A cada dois anos, esse levantamento atualiza as tendências globais em relação à biodiversidade e o estado da vida no planeta, com base em dados de 19 organizações e de mais de 50 pesquisadores internacionais.

O sumário do Planeta Vivo está disponível em português e em inglês. Você ainda pode baixar o relatório completo, somente em inglês, mediante cadastro. 

O documento traz ainda mais evidências sobre a urgência de revermos e modificarmos hábitos e fazermos um novo acordo global para e pela natureza, para e pela humanidade. “A forma como alimentamos, abastecemos e financiamos nossa sociedade e economia está levando a natureza e os benefícios que ela nos fornece ao limite”, salienta o estudo realizado a partir de múltiplos indicadores – entre eles, o Índice Planeta Vivo (IPV), elaborado pela Sociedade Zoológica de Londres e que, desde 1970, mede as tendências da diversidade biológica em 16.704 populações, que representam 4.005 espécies de vertebrados –, apontando objetivos claros e ambiciosos para que possamos reverter o cenário atual de extinção da vida no planeta.

“Nos próximos anos, precisamos urgentemente transitar para uma sociedade neutra em carbono e deter e reverter a perda da natureza – por meio de financiamento verde, energia limpa e produção de alimentos ecologicamente correta. Devemos também manter e restaurar solos e mares no estado natural tanto quanto possível”, escreveu Marco Lambertini, diretor geral do WWF Internacional, na apresentação do estudo.

O estudo Planeta Vivo aponta que, nós, humanos, já ultrapassamos todos os limites de segurança no que se refere às mudanças climáticas, à integridade da biosfera, aos fluxos biogeoquímicos de nitrogênio e fósforo, além das mudanças no sistema terrestre. “A saúde planetária, a natureza e a biodiversidade estão em declínio acentuado, prejudicando a saúde e o bem-estar das pessoas, espécies, sociedades e economias em todos os lugares”.

Tudo isso apesar das tecnologias que já existem e podem garantir uma convivência mais pacífica entre os seres humanos e a natureza, conservar recursos naturais, a biodiversidade. Não faltam exemplos de boas práticas pelo mundo – comprovadas pela ciência -, que preservam o meio ambiente e precisam se multiplicar.

O levantamento ainda aponta que a natureza fornece, globalmente, serviços ecossistêmicos que valem cerca de US$ 125 trilhões por ano. Não dá pra ignorar sua importância. Por isso, o WWF ressalta que também precisamos nos posicionar como consumidores e cidadãos, encorajando e cobrando governos e empresas a adotarem políticas e práticas embasadas nos conceitos do desenvolvimento sustentável. E, qualquer atitude contra o desperdício é bem-vinda, por menor que seja: não desperdiçar alimentos, usar menos plástico e optar sempre por produtos orgânicos ou de origem sustentável já são um bom começo.

“Temos diante de nós uma oportunidade inédita, mas urgente à medida que nos aproximamos do ano 2020, quando o mundo analisará seu progresso no desenvolvimento sustentável por meio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, do Acordo de Paris e da Convenção sobre Diversidade Biológica“, lembra Lambertini. “Nessa data é quando o mundo deverá ter abraçado um novo acordo global para a natureza e as pessoas e realmente demonstrar o caminho que estamos escolhendo para as pessoas e para o planeta. A escolha é nossa”.

Fotos: Reprodução Facebook WWF Internacional 

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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