Planejamento sem sorte não é nada!


Fotografar natureza envolve uma mistura de ingredientes: conhecimento do que se vai fotografar, técnica, equipamento, senso estético, planejamento e, claro, sempre é bom ter pelo menos um pouquinho de sorte. Normalmente, obtenho bons resultados quando consigo colocar uma pitadinha de cada um desses elementos.

A falta de domínio das ferramentas (ou a falta das próprias ferramentas) de planejamento, já me rendeu algumas situações, no mínimo, desconfortáveis. Entre elas, em uma das minhas primeiras visitas ao Cristalino Jungle Lodge, em Alta Floresta, na Amazônia, saí na madrugada com o guia para fotografar o nascer do sol em uma das torres.

Como ali a fotografia envolve tanto essa fase inicial da paisagem quanto, posteriormente, a vida silvestre, a mochila vai carregada com o  “pacote completo”. Duas câmeras, teleobjetivas pesadas, lentes menores, filtros, tripés, e por aí vai. Ao todo são uns 20kg de equipamentos que precisam ser carregados escada acima, até o topo dos 50 metros da torre.

Eis que, quando estava ainda no primeiro terço da subida, percebi que a lua cheia, absolutamente alaranjada, estava prestes a se pôr atrás da floresta, que, nesse momento, já tinha a iluminação de uma luz suave. Sem pensar duas vezes (que é uma coisa comum para mim nesses casos!), desembestei a correr torre acima. De fato, consegui chegar no topo a tempo de ver a lua maravilhosa ainda por cima da floresta. Só não contava com o fato de que meus pulmões resolveram não me acompanhar.

Lá em cima, tentando arrumar o equipamento para fotografar, mal conseguia respirar e comecei a ficar tonto. As pernas bambearam e as duas primeiras fotos se adequariam mais à classificação de arte abstrata do que fotografia de natureza. Enfim, resolvi que precisava me recuperar antes de uma nova tentativa. Sentei um pouco e, enquanto a respiração voltava ao normal, montei o tripé e a câmera sobre ele. Quando, finalmente, consegui fazer algo com um mínimo de critério técnico, a lua já sumia tranquila atrás das árvores (a foto com o resultado está no final do post).

Marquei mentalmente aquela fotografia como pendente no meu portfólio e toquei a vida. Por conta dessa pendência, nas duas visitas seguintes ao Cristalino, fiz questão de programar para estar lá no dia da lua cheia. Já mais instrumentalizado para um bom planejamento, essa era uma das fotografias prioritárias das expedições.

Na primeira vez, estava no topo da torre com 40 minutos de antecedência, equipamento todo montado e respiração compassada. Mas, em seus caprichos, a mãe natureza, apesar da noite linda que fazia, resolveu despejar uma fina névoa no horizonte, que fez a lua sumir muito antes de chegar perto da floresta. Ainda não havia sido daquela vez.

Na segunda tentativa, finalmente, consegui fazer a foto da lua sobre a floresta com as cores mais bonitas no nascer do sol. Novamente percebi a importância de combinar os ingredientes certos. Com planejamento, ficou bem mais fácil! Mas ainda descobri que, para essa foto, era necessário a tal da pitadinha de sorte.

Agora, os dados da foto que abre este post:
– Câmera Nikon D810
– Objetiva Nikon AFS 80-400mm f/4.5-5.6G ED VR @ 80mm
– Filtro graduado de densidade neutra de 3 stops – hard edge
– Exposição: ISO 400, Abertura f/11, Velocidade 1/10s

E a primeira foto que fiz da lua:

A natureza sempre foi uma paixão para Marcos Amend que, ainda adolescente, passou a observá-la também pelas lentes de uma máquina fotográfica. Assim, aliando o talento fotográfico à conservação do meio ambiente, há 25 anos viaja do Norte ao Sul do Brasil e pelos cantos mais remotos do mundo. Colabora com livros, revistas e bancos de imagens e realiza expedições, cursos e workshops de fotografia outdoor.

Marcos Amend

A natureza sempre foi uma paixão para Marcos Amend que, ainda adolescente, passou a observá-la também pelas lentes de uma máquina fotográfica. Assim, aliando o talento fotográfico à conservação do meio ambiente, há 25 anos viaja do Norte ao Sul do Brasil e pelos cantos mais remotos do mundo. Colabora com livros, revistas e bancos de imagens e realiza expedições, cursos e workshops de fotografia outdoor.

4 comentários em “Planejamento sem sorte não é nada!

  • 13 de fevereiro de 2017 em 4:35 PM
    Permalink

    Mestre, de fato a sorte é indispensável para fotos de natureza, mas eu não considero que na primeira imagem capturada não tenha tipo uma pitada de sorte. Achei ótima também. De qualquer forma, entendo perfeitamente que não fosse “aquela” imagem que estava na sua cabeça para ser capturada, rs. Parabéns camarada.

    Resposta
    • 16 de fevereiro de 2017 em 3:28 PM
      Permalink

      Pois é, Alexandre! Na verdade, o que eu esperava fazer ainda era uma foto parecida com a primeira, mas com a Lua mais inteira. Só que as cores surreais do dia da foto do post deu uma compensada no tamanho da lua. Abração!

      Resposta
  • 14 de fevereiro de 2017 em 1:47 PM
    Permalink

    Que sensacional meu amigo, essas sensação de planejar algo que perdemos hoje é ótima, pois a chance quase sempre é mais bela e você está em paz não é?

    Abraços e saudade de você

    Resposta
    • 16 de fevereiro de 2017 em 3:29 PM
      Permalink

      Pois é, meu amigo! Que tal a gente planejar de encontrar pra fotografar junto então? Pra isso nem precisa muitos aplicativos mirabolantes! hahaha
      Abração e saudade também!

      Resposta

Deixe uma resposta