Petição internacional pede investigação ao governo alemão sobre criador de ararinhas-azuis

Petição internacional pede investigação ao governo alemão sobre criador de ararinhas-azuis

Quase 48 mil pessoas já assinaram uma petição online, no site Care2, pedindo que a Agência de Conservação da Natureza, da Alemanha – Bundesamt für Naturschutzinicie um processo de investigação sobre o criador alemão de aves, Martin Guth.

O proprietário da Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), entidade que afirma ter como missão a conservação dos papagaios ameaçados, foi denunciado por uma matéria do jornal britânico The Guardian. 

Segundo os jornalistas britânicos, apesar da ACTP ter uma licença para atuar como zoológico – misteriosamente -, não funciona como um, pois não é aberta ao público. De acordo com a reportagem, Guth ficou cinco anos na prisão por sequestro e extorsão e passou outros 20 meses na cadeia, por extorsão, novamente, em 2009.

Desde que o assunto veio à tona, o Conexão Planeta ouviu criadores e biólogos brasileiros sobre a denúncia (todas as pessoas ouvidas pelo site disseram ter muito medo de falar publicamente porque “o alemão seria alguém muito perigoso”).

Acontece que Martin Guth tem em suas mãos 90% da população global de ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii), espécie nativa da Caatinga baiana, que está extinta na natureza desde o ano 2000.

O criador é um dos mais importantes parceiros do projeto de “repatriação” da ave no Brasil, o Ararinha na Natureza, um desdobramento do Plano de Ação Nacional a Conservação da Ararinha-azul (PAN Ararinha-azul), coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave/Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade – ICMBio), órgão do ministério do Meio Ambiente (MMA).

Guth enviará, de seu criatório na Alemanha, 50 ararinhas-azuis para um Centro de Reintrodução, em Curaçá, na Bahia, ainda no primeiro trimestre de 2019. Na página da ACTP, no Facebook, a associação informou, em 22 de dezembro, que já está com os documentos de exportação prontos para 61 aves.

A petição do Care2 afirma que há suspeitas de que a ACTP cria aves exóticas para vendê-las a colecionadores particulares. O criatório alemão não possui somente ararinhas-azuis, mas muitas das espécies mais raras do planeta e a maioria delas, ameaçada de extinção. O Conexão Planeta apurou recentemente, e em breve vai divulgar em nova matéria aqui, que por US$ 1 mil é possível comprar uma ararinha-azul e tê-la entregue na porta de casa, em qualquer lugar do mundo.

Se você acha que é preciso haver uma investigação mais série sobre Martin Guth, especialmente porque ele é um dos responsáveis pela construção e pela administração do centro de reintrodução da ararinha-azul no Brasil, assine já a petição!

O ideal é que, antes que as aves cheguem à Bahia, não haja nenhuma dúvida sobre o trabalho da ACTP.

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*O Conexão Planeta entrou em contato com a ACTP, por e-mail, solicitando uma posição de Martin Guth sobre as acusações recebidas e as denúncias de que ele estaria envolvido com a venda de aves exóticas. Recebemos a resposta abaixo do diretor científico e zoológico da instituição, Dr. Cromwell Purchase:

A história de nosso proprietário tem mais de 20 anos, e em nenhum momento, ele esteve envolvido no tráfico ilegal de aves … 

Há muitas pessoas invejosas por aí (Brasil), todo mundo quer um pedaço do programa da ararinha-azul, agora que nós, parceiros do projeto, conseguimos chegar a esse ponto com tanto sucesso. Muitos parceiros foram removidos ao longo do caminho devido à política e à interrupção do programa, e tenho certeza de que muitos estão envolvidos nas acusações de que você fala … um artigo sem fatos, apenas boatos.

Você pergunta por que as empresas estrangeiras estão avançando com sucesso no programa da ararinha-azul. Porque nenhum criador brasileiro estava disposto a investir dinheiro para salvar essa espécie. Os custos para executar este projeto são enormes, especialmente se o fizermos com sucesso e o projeto exige um compromisso de longo prazo. Você preferiria que simplesmente deixássemos a espécie extinta, pois de repente parece que todas as organizações que não fazem parte dela e que os membros anteriores estão tentando fazer, já que não conseguiram fazer sua parte com sucesso quando estiveram envolvidos?

O sucesso dos últimos sete anos no programa da ararinha-azul são incríveis, algo que ninguém pensou ser possível relembrando a história da ave em cativeiro. Transformamos o projeto de, virtualmente sem esperança, em um sucesso retumbante e parceiros antigos são extremamente ciumentos que isso não poderia acontecer quando eles estavam envolvidos … Incrível como o sucesso traz inveja, e é incrível ver como esse pecado mortal é realmente maligno (não é de admirar é um dos 7 pecados mortais)”. 

O Conexão Planeta se colocou à disposição para publicar uma entrevista exclusiva com Martin Guth, em que ele possa responder questões que ainda não ficaram claras, como por exemplo, a origem do dinheiro – do enorme investimento -, citado acima, já que a ACTP é uma organização sem fins lucrativos. Até o momento, ele não respondeu à nossa oferta.

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Novamente, o Conexão Planeta quer deixar claro que está na torcida para que as ararinhas-azuis voltem a colorir dos céus da Caatinga baiana. Mas diante de tantas denúncias que temos recebido, nosso papel jornalístico é divulgar os fatos que ouvimos, buscar respostas junto ao ministério do Meio Ambiente e questionar, por que, até agora, os órgãos ambientais do governo não vieram a público dar uma declaração sobre sua confiança na ACTP e em Martin Guth.

 

Foto: reprodução Facebook/divulgação Care2

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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