Pesticidas provocam declínio assustador de aves na Europa

aves

Primeiro foram os insetos. Agora são os pássaros. Novos estudos afirmam que a agricultura intensiva e o uso de agrotóxicos estão dizimando a população de aves em diversos países da Europa.

Uma pesquisa realizada na França revelou que com o desaparecimento dos insetos, alimentos dos pássaros, dezenas de espécies de aves tiveram uma redução brutal no número de indivíduos. Algumas apresentando uma diminuição de até 1/3 nos últimos 15 anos.

Os pesquisadores consideram a situação catastrófica. Alertam que se nada for feito, os campos do interior francês se tornaram “desertos”.

Em comunicado à imprensa, o Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França afirmou que uso indiscrimado de pesticidas e a monocultura, sobretudo de trigo e milho, são os principais responsáveis pela morte dos insetos e das aves.

O que o novo artigo revela é que, com os insetos desaparecendo pela contanimação de agrotóxicos, as aves não têm o que comer.

Diversos estudos anteriores têm denunciado os efeitos nocivos dos pesticidas sobre as abelhas. E não é só. Pesquisadores alertam que os agrotóxicos utilizados na agricultura também são prejudiciais para outros polinizadores, como as borboletas.

Na maioria desses trabalhos científicos, as evidências recaem sobre um tipo específico de pesticida: o neonicotinóide.

No estudo “Impacts of neonicotinoid use on long-term population changes in wild bees in England”, realizado pelo Centre for Ecology and Hydrology do Reino Unido, cientistas apontaram o declínio da população de 62 abelhas selvagens na Inglaterra, entre os anos de 1994 e 2011 – período este em que os neonicotinóides tornaram-se bastante populares e seu uso intensificado.

Derivado da nicotina, o neonicotinóide é usado para controlar pragas. O grande diferencial deste agrotóxico é ser sistêmico, ou seja, ele se espalha por toda a planta: folhas, flores, ramos, raízes e até, néctar e pólen. Em geral, ele é colocado na semente e a partir daí, toda a planta fica com vestígios dele.

Em toda Europa, estima-se que já houve um declínio de 80% na população de insetos, afetando diretamente a sobrevivência das aves no continente. Dados do European Bird Census Council indicam uma redução de 55% desde a década de 80. Das 39 espécies de aves “rurais” analisadas, 24 tiveram uma queda em seus números.

Entre as principais espécies impactadas estão as cotovias (Alauda arvensis), as papuxas (Sylvia communis) e a sombria (Emberiza hortulana). De cada dez petinha-dos-prados (Anthus pratensis), por exemplo, sete sumiram das plantações francesas.


Vale lembrar que insetos e aves têm um papel fundamental na produção de alimentos. E 45% do solo europeu é utilizado pela agricultura. Há uma pressão enorme no continente para que seja aprovada uma nova legislação que corte, até 2020, o uso de pesticidas permitido atualmente em até 50%.

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Foto: Kentish Plumber/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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