Pesquisadora brasileira cria chocolate mais nutritivo com pitadas de uva e couve

Pesquisadora brasileira cria chocolate mais nutritivo com pitadas de limão e couve

Muito poucas pessoas resistem ao chocolate. Feito com base na amêndoa fermentada e torrada do cacau, sua origem remonta às civilizações pré-colombianas da América Central. A receita foi levada então para a Europa e esse alimento dos deuses ganhou o mundo.

Além de delicioso, já se sabe há muito tempo que o chocolate traz muitos benefícios à saúde. Os flavanóides, compostos derivados da semente do cacau, têm poder anti-inflamatório, antioxidantes e até, acreditam alguns, previne o câncer.

Mas será possível aumentar ainda mais os benefícios gerados pelo consumo do chocolate? A pesquisadora brasileira Suzana Caetano da Silva Lannes acredita que sim. A professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo fez um experimento em que adiciou ao produto uva desidratada em pedaços e folha de couve, também desidratada, em pó.

O resultado é que o chocolate apresentou maiores valores de fibra alimentar e um maior teor de minerais. “A qualidade nutricional melhora muito quando comparado aos chocolates simples”, explicou Suzana, em entrevista à Agência Universitária de Notícias da USP.  

O chocolate com pitadas de uva e couve possui ainda maior ganho antioxidante. “Essas substâncias ajudam a reduzir o envelhecimento celular”, destaca a professora.  

Eu só quero chocolate!

Em 2017, um estudo realizado por pesquisadores italianos comprovou que o chocolate melhora a concentração, a velocidade do pensamento e a memória. Além disso, ele aumenta a fluência verbal para os mais velhos, inclusive aqueles que já apresentam sinais de demência inicial.

Em outra pesquisa, cientistas britânicos, das Universidades de Exeter e Brighton, no Reino Unido, fizeram uma descoberta inédita e de grande importância para ajudar no rejuvenescimento ou melhor, no envelhecimento com melhor qualidade, do ser humano.

Primeiro, é preciso entender o que é a senescência celular.  Este é o nome dado ao processo de parada de divisão celular, fazendo com que não haja mais substituição de células. Apesar de estarem vivas, as células senescentes não crescem nem agem como deveriam, perdendo a habilidade de funcionar corretamente. Com o avanço da idade, elas vão se acumulando nos tecidos e órgãos, que se tornam mais suscetíveis a doenças.

Pois os pesquisadores ingleses aplicaram, em laboratório, o composto polifenol resveratrol em células senescentes e, em poucas horas, garantiram eles, as mesmas começaram a se dividir e agir como jovens novamente.

O polifenol resveratrol é uma substância química encontrada no chocolate amargo, e também na uva vermelha, no mirtilho e no vinho tinto.

Os cientistas acreditam que a descoberta pode ajudar o ser humano a envelhecer melhor, pois a maioria das pessoas com mais de 80 anos apresenta algum tipo de doença crônica ou degenerativa, além de ter mais doenças cardíacas, derrames e câncer (leia mais sobre o estudo aqui).

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Foto: divulgação

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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