Inaugurado primeiro parque híbrido de energia renovável do país

usina híbrida com energia renovável - turbinas eólicas e paineis solares

É bem no meio do sertão pernambucano, na cidade de Tacaratu, a quase 500 km da capital Recife, que entrou em operação, no final de setembro, o primeiro parque híbrido de energia renovável do Brasil. O Complexo Fontes reúne a produção de energia eólica e solar, simultaneamente.

O projeto é uma parceria público-privada, do governo pernambucano com a multinacional italiana Enel Green Power. O custo para a construção da planta foi de R$ 660 mihões.

O complexo é formado por duas usinas fotovoltaicas, com potência instalada de 11 megawatts (MW) – segundo o governo de Pernambuco, o maior parque solar do país -, e 34 turbinas eólicas, com capacidade de 80 MW. No total, serão gerados 340 gigawatts (GW) por ano, o suficiente para atender a demanda de eletricidade de 250 mil residências.

“Vemos o nascimento de uma junção de energia eólica com solar inédita no Brasil. Experiência que olha para frente e prioriza o desenvolvimento sustentável“, afirmou o governador do estado Paulo Câmara, durante a inauguração do Complexo das Fontes.

A energia produzida pelos paines fotovoltaicos de Tacaratu vai aumentar em mais de 30% a capacidade instalada da geração de energia solar no Brasil. Estima-se que com isso, 5 mil toneladas de CO2 (dióxido de carbono, gás principal responsável pelo aquecimento global) deixarão de ser emitidas na atmosfera a cada ano. Já o parque eólico ajudará na redução da emissão de 126 mil toneladas de CO2 por ano.

De acordo com o governo de Pernambuco, 60% do território do estado oferece grande potencial para a produção de energia renovável, principalmente no modelo híbrido, que une a geração através do vento e sol. Com este sistema, os custos de instalação dos parques ficam bem mais baixos, já que há compartilhamento de infraestruturas e as mesmas linhas de transmissão podem ser utilizadas. Ainda segundo os responsáveis pelo Complexo das Fontes, plantas híbridas promovem melhor aproveitamento dos recursos naturais, com geração ininterrupta ao longo do dia todo.

Em 29/09, foi inaugurado outro parque renovável no estado nordestino: o Complexo Eólico Ventos de Santa Brígidas, com sete plantas, distribuídas em três cidades do agreste pernambucano: Caetés, Paranatama e Pedra. O empreendimento também é uma parceria público-privada, desta vez, com a empresa Casa dos Ventos Energias Renováveis. Com capacidade instalada de 181,9 MW, pode levar eletricidade para 350 mil casas. Considerado o maior complexo eólico de Pernambuco, teve custo de R$ 864 milhões. Em 2016 e 2017, entrarão em operação dois novos projetos administrados pela Casa dos Ventos na região.

Até o final do ano, Pernambuco promete lançar um Atlas Eólico e Solar do estado, em que estarão mapeadas áreas com potencial para a geração de 762 GW. Além de tornar a matriz energética brasileira mais limpa e sustentável, a construção de usinas de fontes renováveis alavanca a economia local e ajuda a diminuir as desigualdades sociais. Nas comunidades de Tacaratu, os moradores que cederam áreas de suas propriedades para que as turbinas eólicas fossem instaladas estão recebendo pagamento mensal de R$ 5 mil.

Recentemente, noticiamos aqui no Conexão Planeta, a divulgação de um estudo que comprovou que o custo global da energia eólica se igualou ao de alguns combustíveis fósseis. Em países como Alemanha e Reino Unido, a energia produzida pelo vento já é mais barata que aquela proveniente do carvão e gás natural. E a solar também está tendo seu custo muito reduzido. A hora é das energias renováveis. Não há mais o que esperar.

Foto: Aluísio Moreira/Fotos Públicas

 

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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