Peixe raro é encontrado em santuário na costa brasileira, a cerca de 11 mil km do seu habitat natural

Não é a primeira vez que um exemplar de Peixe-Bandeira é flagrado fora de “sua casa”, o Oceano Índico. Em 2013, o biólogo e mergulhador Eric Comin o avistou no Parque Estadual da Laje de Santos, que fica há cerca de 40 km das praias da Baixada Santista, no estado de São Paulo. A descoberta lhe rendeu um artigo cientifico na época. No ano passado, a mesma espécie foi vista, por outros pesquisadores, no Rio de Janeiro e na Costa do Paraná.

Este ano, no fim de semana passado, Comin identificou um Heniochus acuminais (seu nome científico) nas águas do mesmo parque marinho, em Santos, que é um santuário, um berçário para centenas de espécies já que a área é protegida por leis ambientais e é proibido pescar no local.

A questão, mais uma vez, é como ele foi parar lá, a 11 mil quilômetros de seu habitat original. A primeira suspeita é de que tenha sido transportado na água de lastro (captada diretamente do mar para os tanques dos navios cargueiros para manter sua estabilidade), quando ainda era uma larva, um “bebê”, e se adaptou bem. Que sorte teve ao encontrar um parque marinho preservado!

“É um registro raro justamente por ser uma espécie exótica, que não é nativa deste oceano”, contou Comin ao site G1. “O Bandeira integra a família dos peixes limpadores, que estabelecem uma relação de contato com todos os animais, para remover tecidos mortos ou parasitas de seus corpos. Neste caso, quando o encontrei, ele estava acompanhando uma tartaruga“.

E é justamente por essa característica, tão peculiar, que, apesar de ser uma espécie invasora (exótica) no Atlântico, o especialista não o considera uma ameaça ao meio ambiente. Além disso, “não existe estudo científico que constate eventual interação danosa do Peixe-Bandeira com o ambiente nativo da costa brasileira“, acrescentou. E ele parece ter sido muito bem aceito pelas demais espécies porque presta serviços importantes de higiene e bem-estar. Um invasor adorado!

Nas fotos que Colmin fez, o peixinho lindo com o trio de cores que marca a espécie – branca e preta com rabo e barbatanas amarelas -, aparece rodeado por um cardume de Salemas (Anisotremus virginicus), que integram a fauna do parque. Na Laje de Santos, há 196 espécies de peixes catalogadas. Agora, 197, com o Peixe-Bandeira.

Foto: Eric Comin (arquivo pessoal) 

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Deixe uma resposta