Peixe, batata frita e…plástico!

Peixe, batata frita e…plástico!

Recentemente uma pesquisa divulgada pela Universidade de Plymouth, na Inglaterra, revelou que o prato mais tradicional e querido pelos britânicos, o fish and chipspeixe à milanesa e batata frita -, ganhou nos últimos anos um novo e indesejável ingrediente: o plástico!

Segundo o estudo, mais de 30% dos peixes pescados na costa do Reino Unido tinham plástico em seus organismos. Bacalhau, sardinhas, cavalinha e até crustáceos estavam contaminados com micropartículas plásticas. De acordo com o autor do artigo, Richard Thompson, o despejo de lixo nos oceanos, que se intensificou a partir da década de 60, atingiu proporções assustadoras.

Ao ser jogado no oceano, o plástico acaba sendo “quebrado” em minúsculas partículas. Com o passar do tempo, estes microrresíduos são encobertos por bactérias e algas, e assim, confundidos por alimentos pelos peixes.

A análise feita pela equipe da Universidade de Plymouth revelou que os animais marinhos estão ingerindo polietileno, nylon e acrílico. “Embora os pedaços de plástico possam estar nos estômagos dos peixes, o produto químico usado para fabricar o plástico pode migrar para sua carne e, portanto, para as partes comestíveis de frutos do mar”, alerta Rolf Halden, diretor de outro instituto que estuda o tema, o Centro de Segurança Ambiental da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos.

No mês passado, a Universidade de Ghent, na Bélgica, também decidiu calcular o quanto de plástico os apaixonados por mariscos do país estão consumindo sem saber. Os pesquisadores apontam que 11 milhões de fragmentos plásticos estão sendo adicionados, como ingredientes adicionais, aos pratos de frutos do mar.

Especialistas afirmam que o ser humano absorve menos de 1% destes resíduos plásticos, mas ao longo dos anos, este material pode ficar acumulado em nosso corpo e os efeitos toxicológicos futuros são incertos.

Plástico: dos oceanos para os nossos pratos

Oito milhões de toneladas de plástico acabam parando nos oceanos por ano. Estima-se, que 5,2 trilhões de fragmentos plásticos estejam boiando ou depositados no fundo da água.

E anualmente, a produção deste material sintético aumenta cada vez mais. Em 1964, foram 15 milhões de toneladas de plástico fabricadas. Em 2015, este número pulou para 322 milhões de toneladas.

Um estudo conduzido em 2015, em mercados da Califórnia e Indonésia, dois pontos extremos do planeta, examinou o que havia nos estômagos dos peixes comercializados nestes locais. O resultado mostrou que um em cada quatro peixes tinha plástico em seu organismo.

Mais amplo ainda foi a pesquisa Plastics in Seafood,  realizada pelo Greenpeace, no ano passado. Nela, dados de diversos países, entre eles, o Brasil, comprovam que a contaminação dos peixes com partículas plásticas é generalizada. Mexilhões pescados em Santos, na costa de São Paulo, tinham micropartículas de plástico.

Em 2016, cientistas da Universidade de Plymouth divulgaram um vídeo (assista ao final deste post) em que plânctons comem fragmentos plásticos. Plânctons são minúsculos e microscópicos organismos, que flutuam em águas salgadas ou doces, e servem de alimentos para um número enorme de outros seres marinhos. As imagens dos mesmos ingerindo plástico chocou a equipe da universidade britânica porque revela o impacto do nosso lixo na cadeia alimentar dos oceanos.

O professor Richard Thompson, entretanto, diz que não há motivo para pânico. Para sermos contaminados, seria necessário ingerirmos quantidades altíssimas de frutos do mar, algo simplesmente irreal. Mas ele alerta que se continuarmos infestando nossos oceanos com lixo plástico, nos próximos 10 ou 20 anos, a ameaça ficará mais séria.

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Foto: Angie Muldowney/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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