Pearl Jam compensará emissões de CO2 de turnê no Brasil com investimentos em projetos na Amazônia

Sempre engajada e consciente de sua enorme pegada ecológica em cada turnê, a banda Pearl Jam divulgou a compensação de emissões de CO2 de seus dois shows no Brasil: no Maracanã, no Rio de Janeiro, ontem (21/3) e em São Paulo, no Festival Lollapalooza, em 24/3.

Já falarei sobre isso, mas antes quero comentar sobre o cartaz especial encomendado por PJ ao artista Ravi Amar Zupa apenas para sua passagem pela capital carioca. Nele, os músicos criticam abertamente a intervenção militar comandada pelo governo Temer, apresentando aves tropicais – como tucanos e araras – em trajes e adereços que remetem a tanques de guerra e portando metralhadoras.

Em comunicado divulgado à imprensa, os músicos contaram sobre sua intenção: “Essa peça é uma homenagem ao Rio de Janeiro – particularmente às pessoas das favelas que, devido à desigualdade obscena, construíram cidades nas montanhas”.

Eu amei a manifestação do PJ. O mundo está acompanhando essa atrocidade sem tamanho, que está relacionada com a execução da vereadora Marielle Franco, na semana passada. Mas é só ler os comentários no post da banda no Instagram (acima) para perceber que nem todos os fãs curtiram a ideia.

Voltando ao impacto ambiental causado pelas turnês da banda, não é de hoje que seus integrantes se preocupam com as mudanças climáticas e o aquecimento global. Não seria diferente, agora, em sua pequena turnê pelo Brasil.

As emissões foram calculadas em 2.500 toneladas de CO2. É emissão pra caramba! E inclui as viagens da banda e da comitiva, mais os tripulantes das aeronaves, além de estadias em hotéis e locomoção por terra (caminhões, ônibus etc) e também o transporte dos fãs. O custo estimado é de 50 mil dólares (hoje, pouco mais de 163 mil reais), que serão investidos em reserva na Amazônia, em parceria com a ONG Conservação Internacional.

PJ comprou sua ˜compensação de carbono” apoiando a iniciativa Amazonia Live, o maior projeto de reflorestamento tropical do mundo (sobre o qual já falamos aqui, no Conexão Planeta), que visa restaurar cerca de 73 milhões de árvores na Amazônia brasileira. E os recursos dessa compensação serão investidos na Reserva de Uatumã (foto abaixo), localizada na região do médio Rio Amazonas, a 200km (em linha reta) de Manaus.

A reserva possui área de 424 mil hectares, sendo 6 mil de terras degradadas, e abriga 250 famílias distribuídas em 20 comunidades. Nela, serão plantadas 20 mil árvores em oito hectares. E essa ação beneficiará 27 famílias e empregará coletores de sementes, trabalhadores de viveiros, plantadores e técnicos agrícolas.


No site da banda, Stone Gossard, um dos músicos, fala sobre a escolha desse projeto. “É muito importante para nós, como banda, reconhecer o impacto ambiental de nossas turnês e fazer o possível para mitiga-lo. O Amazonia Live é emocionante porque ajuda a compensar o CO2 e, ao mesmo tempo, oferece oportunidades locais de emprego de segurança alimentar“.

O vice-presidente da CI no Brasil, Rodrigo Medeiros, também se manifestou sobre a importância desse projeto para o bioma: “Estamos entusiasmados por fazer esta parceria com o Pearl Jam para ajudar a proteger a Amazônia e divulgar a mensagem do seu significado, além de suas fronteiras. Ela beneficia as comunidades que defendem dela para obter meios de subsistência. 20% do suprimento mundial de água doce está lá. Podemos dizer que uma em cada 5 respirações no mundo só é possível por causa dela”.

Como funciona a compensação na reserva

O Programa Carbono Neutro do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável (Idesam), adotado nesta ação, implementa sistemas agroflorestais em terras degradadas, preservando florestas locais e mitigando produções agrícolas. E ainda gera um novo modelo para o desenvolvimento de baixo carbono, já que cria créditos para compensar emissões de gases de efeito estufa produzidos por parceiros.

Dessa forma, procura resolver os problemas relacionados à degradação florestal provocada pela agricultura insustentável. Só assim, aumenta a sociobidiversidade, cria novas alternativas econômicas para geração de renda e segurança alimentar das famílias locais.

Desde 2010, o programa atua na Reserva de Uatumã, realizando o plantio e o monitoramento das agroflorestas da região, o que vem contribuindo para o desenvolvimento de safras de guaraná, abacaxi e mandioca. Até este mês, foram plantadas mais de 22 mil árvores, que ajudaram a mitigar quase 8 mil toneladas de carbono e a recuperar mais de 265 mil m2 de terras degradadas.

Agora, assista ao vídeo que o Pearl Jam produziu para explicar seu engajamento para compensar emissões no Brasil:

Foto: Danny Clink/divulgação (banda), Flavio Forner/divulgação Conservação Internacional    

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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