Pato-mergulhão se reproduz em cativeiro, pela primeira vez no mundo, no Brasil

Pato-mergulhão se reproduz em cativeiro pela primeira vez no mundo no Brasil

Foi em Itatiba, no interior de São Paulo, que uma das aves mais raras e ameaçadas de extinção do planeta conseguiu finalmente se reproduzir em cativeiro.

Os quatro filhotes de pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) nasceram no Zooparque Itatiba, zoológico particular, que integra o Plano de Ação Nacional para preservação do Pato-Mergulhão.

A reprodução da espécie, até então inédita no mundo, se deu graças ao trabalho e parceria entre diversas entidades: Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental (ICMBio), Terra Brasilis, Naturatins, CerVivo, Museu de Zoologia da USP e a Reserva Conservacionista Piracema.

Encontrado na Argentina, Paraguai e Brasil, o pato-mergulhão é uma espécie de ave aquática que, infelizmente, é considerada criticamente em perigo de extinção, de acordo com a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Pato-mergulhão é encontrado somente no América do Sul

No mundo todo estima-se que só restem 200 indivíduos. No Brasil, o pato-mergulhão pode ser observado nas regiões da Serra da Canastra e Patrocínio (MG), Chapada dos Veadeiros (GO) e no Jalapão (TO).

Todo o processo para a reprodução em cativeiro foi acompanhado de perto pelo veterinário Alexandre Resende. As aves que se reproduziram são oriundas de ovos pegos na natureza, em 2014, no Tocantis. Em geral, o pato-mergulhão demora cerca de dois anos para atingir a maturidade sexual e é muito sensível. “Criar filhotes é sempre difícil, no entanto, nosso esforço foi recompensado por esse primeiro nascimento ”, comemora.

O objetivo agora é  aumentar ainda mais o número de patos nascidos em cativeiro, o que é recomendado por especialistas para que não seja necessário mais buscar ovos na natureza. Depois disso, o próximo passo é a reintrodução de outros indivíduos da espécie e assim, gradativamente, aumentar a população no meio selvagem. “A meta é manter 10 casais reprodutores, cujos filhotes posteriormente serão devolvidos para a natureza ”, explica Robert Kooij, proprietário do Zooparque Itatiba.

As ameaças ao pato-mergulhão

O Mergus octosetaceus é uma espécie que depende, para sua sobrevivência, de águas limpas e transparentes, com corredeiras e vegetação nas margens, e com abundância de peixes, seu principal alimento.

Seu nome – mergulhão -, vem justamente daí. A ave captura os peixes ao mergulhar, utilizando a visão. Por esta razão, ele é extremamente afetado pela degradação das águas. E foi por isso que a população de pato-mergulhão entrou em alarmante declínio no Brasil.

Pato-mergulhão se reproduz em cativeiro pela primeira vez no mundo no Brasil

Veja abaixo*, quais foram os principais responsáveis pelo desaparecimento da ave em nosso país:

– destruição de matas ciliares e consequente perda de árvores de maior porte, e a degradação das margens e dos leitos dos cursos d’água;
– uso de pesticidas nas pastagens e lavouras, que são carregados para os cursos d’água;
– mineração, que impacta diretamente os cursos d’água e, consequentemente, sua fauna associada;
– construção de barragens, as quais modificam profundamente os ambientes aquáticos;
– atividades esportivas mal-planejadas realizadas ao longo dos cursos d´água.

*Informações Instituto Terra Brasilis

Fotos: divulgação ZooParque Itatiba e Sávio Freire Bruno/Wikimedia Commons

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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