Passear e brincar na natureza sempre trazem boas surpresas

lego

Em uma manhã ensolarada, após alguns dias de muita chuva, reunimos algumas famílias no Parque Chácara Silvestre, em São Bernardo do Campo, São Paulo, para brincar com a natureza. Mães e pais estavam dispostos a respeitar o tempo das crianças neste espaço e a se manterem presentes, o tempo todo, nas brincadeiras.

Passear com calma em um ambiente natural traz, inevitavelmente, surpresas. O vento na face, o canto dos pássaros, os achados das crianças ao fazerem suas descobertas.

Em geral. os adultos se colocam em posição de escuta, deixando que as surpresas sejam percebidas pelas crianças. Mas os adultos também podem nos surpreender. E foi o que aconteceu nesse dia.

Estávamos caminhando e olhando para o chão, procurando trilhas de formigas, recolhendo tesouros. O grupo encontrou então um galho cheio de pequenas flores em forma de sininhos. De repente outro e outro. E tentavam descobrir de que árvore eles vinham.

Seguimos caminhando a passos lentos. Percebemos que um pai ficou para trás. Demorou um pouco e logo ele se aproximou do grupo com um sorriso largo no rosto e entregou para o filho uma pequena torre, feita com os sininhos todos encaixados. As crianças se aproximaram para ver o que era. “Meu pai fazia isso comigo”, disse. “Ele encaixava um no outro e falava que ia fazer um colar pra mim”.

Todos pararam de andar e se fixaram na novidade. A descoberta do lego natural encantou as crianças (e os adultos também). Elas pegavam suas pecinhas e as encaixavam também, fazendo a construção crescer. Os menores, por sua vez, desmontavam as construções dos pais. Cada um no seu ritmo, cada um focado na sua descoberta.

A memória daquele pai trouxe uma nova ideia de brincadeira para as crianças. E, aí, eu e Rita ficamos imaginando quantas memórias de experiências singelas, poéticas ou profundas nós, adultos, temos adormecidas em nossa mente! E que magia é essa que faz com que um simples passeio dê voltas na história de alguém e resgate uma experiência. Aliás, mais do que isso: resgate um sentimento de pertencimento e o à família de seus pais, à grande família de seres humanos e à nossa enorme família formada por todos os seres da natureza?!

Essa é a magia de se expor ao vento e aos fluxos vivos que nos formam o tempo todo…

Lembranças que podem conectar ainda mais avós, pais e filhos, em pequenos momentos de simplicidade e presença, aproximando-os e reafirmando vínculos.

Foto: Renata Stort

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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