O desafio do lugar conhecido

parque nacional do iguaçu: o desafio do conhecido

Para nós fotógrafos, um grande desafio é fazer trabalhos em locais muito conhecidos, afinal o que se espera são fotos criativas, diferentes das que comumente são vistas daqueles lugares.

Este desafio acontece comigo frequentemente e alguns foram no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná. Frequento este parque com certa regularidade deste o final da década de 80. Devido à sua beleza, há poucos anos foi eleito, por votação na internet, uma das Sete Maravilhas da Natureza. Concorreram muitos destinos de extrema beleza do mundo todo, cada um com uma foto para ilustrar o local.

Tenho muito orgulho da foto das Cataratas do Iguaçu que fiz em outro trabalho, que ilustrou esta votação a nível mundial.

O Parque Nacional do Iguaçu é o segundo mais visitado do Brasil, com mais de um milhão e seiscentos mil visitantes no ano e muitos, mas muitos milhões de fotografias tiradas a cada ano.

Se você pesquisar na internet verá uma quantidade enorme de imagens. Tantas que fica difícil distinguir a autoria de cada uma delas! A grande maioria das pessoas fotografa ao longo das trilhas, com poucas centenas de metros das cataratas do Iguaçu.

Confesso que cada vez que vou para lá me emociono, ao mesmo tempo que me pergunto, “Como farei fotos diferentes das já milhares que tenho das Cataratas?”.

Numa das vezes que fui contratado para fotografar as Cataratas, procurei uma data com a lua cheia. Minha ideia era fotografar as cataratas iluminadas com a luz do luar, aparecendo as estrelas e se possível, com um arco-íris formado pela tênue luz do sol refletida na lua.

Claro que tinha que esperar o pôr-do-sol, porém o parque fecha no final da tarde para visitantes, então pedi autorização na administração para para ficar até mais tarde.

Munido de lanterna, tripé e todo equipamento necessário, fiquei aguardando o sol se pôr e a luz do luar surgir no horizonte.

O local que escolhi foi o mais frequentado pelos turistas durante o dia, porém à noite, eu estava só, com meu equipamento e o som das quedas d’água me acompanhando.

Esperei bastante tempo até a lua ficar numa posição que formasse o arco-íris e circulei fotografando entre os vários pontos já bem conhecidos por mim.

O céu estava sem nuvens e consegui fazer uma série de fotografias bastante diferenciadas das que eu já tenho em meu arquivo e que normalmente vemos por aí.

A emoção de estar ali sozinho fotografando é indescritível. Me senti abençoado por ter uma oportunidade como esta e mais feliz ainda por ter conseguido a foto que eu queria!

*Equipamento: câmera Nikon D800 – I.S.O. 1000 – Tempo de exposição 30 seg – Lente Sigma 15-30mm em 15mm – Abertura F 6.3

Fotógrafo profissional com ênfase em imagens de natureza, turismo e viagens. Autor de 14 livros e 25 exposições individuais, sendo quatro internacionais. Percorreu todos os biomas brasileiros, viajou para vários países de outros continentes, fotografando para revistas, ONGs e empresas.

Zig Koch

Fotógrafo profissional com ênfase em imagens de natureza, turismo e viagens. Autor de 14 livros e 25 exposições individuais, sendo quatro internacionais. Percorreu todos os biomas brasileiros, viajou para vários países de outros continentes, fotografando para revistas, ONGs e empresas.

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