Parque Nacional do Iguaçu celebra nascimento de três filhotinhos de onça-pintada


Foi uma grande surpresa para a equipe do Projeto Onças do Iguaçu. Atiaia teve três filhotes e não apenas um, como acreditavam inicialmente os veterinários e biólogos do parque.

A descoberta foi feita por acaso, quando a família foi avistada cruzando uma das estradas que atravessam o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná. Os pesquisadores afirmam que os filhotes são trigêmeos e têm dois meses de vida.

O nascimento foi muito comemorado porque indica que os esforços de conservação do projeto estão dando resultado. Na Mata Atlântica, bioma no qual o parque está localizado, a onça-pintada é considerada criticamente ameaçada de extinção. Estima-se que existam menos de 300 indivíduos.

Todavia, o último censo realizado no Parque Nacional do Iguaçu, em 2017, revelou que o número de animais cresceu 70%, entre 2010 e 2016 no local, conforme mostramos aqui.

“Considerando as onças da Argentina e da região do Turvo, são cerca de 100 animais, ou seja, um terço de toda a população estimada na Mata Atlântica, isso só mostra a importância desta região para a conservação da onça-pintada”, afirma Yara Barros, coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu. “O nascimento das três onças, não só é uma grande esperança para a Mata Atlântica, mas também significa que a mãe está muito bem de saúde”.

Esta não foi a primeira ninhada de Atiaia. Ela é mãe de Caiuá, um macho de dois anos, que já é independente, por isso vive longe da nova família, em seu próprio território.

As imagens das pequenas oncinhas atravessando uma estrada provocaram preocupação por parte dos internautas quando foram divulgadas. A equipe do projeto garante que elas estão protegidas e que rapidamente foi lançada uma campanha de prevenção no parque para que os motoristas sejam ainda mais cautelosos com a velocidade, além de ressaltar que eles não devem se aproximar dos animais.

filhote de onça-pintada

Um dos trigêmeos correndo atrás da mãe

O crescimento dos filhotes será acompanhado por armadilhas fotográficas. Quando tiverem aproximadamente um ano e meio, receberão um colar para monitoramento remoto, que fornecerá informações valiosas sobre os hábitos da espécie.

A fêmea Atiaia

Por ano, cerca de 1,6 milhão de pessoas visitam o Parque Nacional do Iguaçu, que tem como principal atração, as Cataratas do Iguaçu. Com uma administração focada na sustentabilidade, conseguiu-se – mesmo com o aumento de turistas – diminuir os impactos na vida selvagem.

Curiosidades da onça-pintada

A Panthera onca é o terceiro maior felino do mundo e o maior do continente americano. Seu peso pode variar entre 56 e 92 kg, mas alguns passam dos 100 kg.

Diferentemente da maioria dos felinos, a onça-pintada não mia. Assim como o tigre, leão e leopardo, ela emite roncos muitos fortes, chamados de esturros.

Outra curiosidade sobre a Panthera onca é em relação às suas manchas. Cada animal tem uma padrão de manchas único, ou seja, nunca haverá duas onças-pintadas iguais. É como se as manchas fossem impressões digitais. Por estão razão, elas são utilizadas para a identificação dos felinos.

Durante trabalho de captura para observação e estudo da onça-pintada, pesquisadores costumam fotografar a pelagem do animal na lateral e também na cabeça, assim é possível diferenciá-lo junto a outros felinos da mesma espécie.

As fêmeas podem ter suas primeiras ninhadas com cerca de dois a três anos de idade. Já os machos só se tornam sexualmente maduros com três ou quatro anos de idade. A gestação dura entre 93 a 105 dias.

Flagrante de um dos filhotes de onça-pintada nascido no Parque Nacional do Iguaçu

Quando nascem os filhotes são cegos e só abrem os olhos depois de duas semanas de vida. Até os dois meses se alimentam apenas com o leite materno e a partir daí, a fêmea começa a trazer carne para a ninhada. Só aos seis meses é que os pequenos acompanham a mãe na caça por presas.

As onças-pintadas são animais de hábitos solitários

*Com informações e texto do ICMBio

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Fotos: divulgação/Carmel Croukamp

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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