Parlamento europeu aprova proibição de plásticos de uso único

A proposta radical – e muito bem vinda! – para banir da União Europeia (UE), até 2021, todos os produtos de plástico que, em geral, têm uma única utilidade, recebeu 571 votos favoráveis, 53 contra e 34 abstenções no Parlamento Europeu, nesta quarta-feira, 24/10.

O resultado da votação foi considerado como “uma repressão aos ‘top ten’ que mais frequentam os oceanos”. Aqueles que levam cinco segundos para serem produzidos, são  utilizados por cinco minutos e demoram 500 anos para se degradar. Viajam por longas distâncias porque são leves, prejudicando a flora e a fauna marinhas por onde passam. O objetivo do projeto é, portanto, conter e combater a poluição dos rios, cursos d’água e mares.

A imagem que ilustra este post é da fotógrafa e ativista Caroline Power, que, durante um passeio, registrou as condições precárias do mar do Caribe. Indignada, ela publicou imagens em seu perfil no Facebook, que vitalizaram rapidamente.

Assim, estão incluídos entre os plásticos que deixarão de circular pelos 28 países membro da UE em três anos, não só os canudos (que viraram alvo solitário de inúmeras campanhas pelo mundo), como colherinhas de café, copos, pratos, talheres, artigos de cutelaria e cotonetes, entre outros produtos de plástico oxibiodegradável.

As malditas garrafas de plástico também foram consideradas no projeto, mas terão um prazo um pouco maior para sumir: até 2025, 90% delas deverá ser recolhida por serviços de coleta seletiva e recicladas, até desaparecerem de circulação. Esse também é o prazo para que seja reduzido em 25%, pelo menos, o uso de caixas para hambúrgueres, sanduíches e saladas, bem como recipientes para frutos, legumes, sobremesas ou alimentos gelados.

E mais: a redução do plástico também será aplicada aos produtos de tabaco. Seus filtros deverão ter menos 50% de plástico até 2025, e 80% até 2030.

Agora, os países da UE ainda precisam apoiar o projeto para que se torne lei. Se o Conselho Europeu realizar a votação em novembro, a lei pode sair até o final deste ano. Em seguida, os países que compõem a UE devem elaborar seus planos nacionais, indicando as medidas que serão adotadas em seu território, inclusive para incentivar a produção de produtos reutilizáveis.

UE x Reino Unido

Durante a sessão no Parlamento, o Reino Unido (que não faz parte da UE desde 2017) foi citado como se estivesse alheio à essa questão e precisaria aderir. É verdade que o país não tem proposta de lei, mas vem implantando algumas medidas, como cobrar dos cidadãos pelo uso de sacolas plásticas, desde 2015, o que reduziu seu uso em 80% em pouquíssimo tempo. Em janeiro deste ano, o país anunciou plano de combate ao plástico, que banirá seu uso em 25 anos. Moroso? Sim, mas trata-se de uma medida importante.

Alguns dias depois desse anúncio do Reino Unido, também em janeiro, a União Europeia revelou seu interesse em driblar o lixo plástico, declarando guerra a seu consumo. Talvez inspirada pelo vizinho que não faz mais parte da comunidade e também pelos números que revelam que os europeus descartam, por ano, 25 milhões de toneladas de resíduos plásticos (sendo que menos de 30% é coletado para reciclagem), apresentou Bruxelas como a primeira cidade a implantar estratégia de ataque aos plásticos de um uso só, taxando seu uso.

A disputa entre Reino Unido e UE – que já rendeu algumas trocas de insultos, por Twitter, entre o secretário de Meio Ambiente, o britânico Michael Gove, e o primeiro vice-presidente da Comissão Européia, Frans Timmerans – pode ajudar a acelerar as intenções de eliminar os plásticos da vida dos europeus e de suas águas. Mas, sem dúvida, a legislação proposta pela UE a coloca numa posição de liderança no combate à crescente crise da poluição por plásticos no mundo. 

Segundo o jornal britânico The Guardian, no dia da votação, o comissário do meio ambiente, Karmenu Vella, disse: “Hoje estamos mais próximos de eliminar os produtos plásticos de uso único, que são os mais problemáticos da Europa. Há um sinal claro de que a Europa está pronta para tomar medidas decisivas e coordenadas para reduzir esse consumo e liderar os esforços internacionais para tornar nossos oceanos livres de plásticos”.

Os movimentos para reduzi-los são notórios, em países diversos. Com frequência, damos boas notícias vindas de toda parte, aqui, em nosso site. Abaixo, estão algumas delas:

Foto: Creative Commons

Photo by Simson Petrol on Unsplash – garrafas bege e verde

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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