Para substituir o canudo plástico, que tal um feito de algas marinhas?

Para substituir o canudo plástico, que tal um feito de algas marinhas?

O fim do uso dos canudos plásticos se tornou um movimento mundial. Apesar de ser uma pequena fração da poluição plástica que contamina oceanos e tira a vida de milhares de animais marinhos, o canudinho virou um símbolo de que é preciso repensar a maneira como vivemos e consumimos no planeta.

Como diversos países e cidades já baniram o uso e a distribuição dos canudos plásticos (confira quais no “Leia Mais”, ao final da reportagem), surge uma onda de inovações e alterativas para a substituição do produto.

Uma delas foi desenvolvida pela startup americana Loliware. Os canudos são feitos com algas marinhas e depois de utilizados (em contato com líquido), duram cerca 18 horas antes de começarem a amolecer.

Após esse tempo, o processo de decomposição se inicia, já que, por serem fabricados com matéria-prima vegetal, são biodegradáveis. Assim como uma casca de banana, por exemplo. Testes demonstraram que, se jogado no mar, o canudo de alga marinha desaparecerá em poucas semanas.

O canudo feito com alga marinha: resistente e biodegradável

A empresa trabalhou junto a biólogos marinhos e especialistas em biopolímeros (polímeros produzidos por seres vivos, como celulose, amido, quitina, proteínas) para conseguir chegar até o produto final.

A produção em larga escala já começou. Em uma fábrica em Nova York, serão produzidos 2 milhões de canudos por semana. Entre os clientes que assinaram contrato com a Loliware está a rede de hoteis Marriott. A partir de 2020, a expectativa é ter uma planta na Europa e aí, aumentar a capacidade para 30 bilhões de canudinhos.

Estima-se que, por ano, sejam consumidos 360 bilhões de canudos plásticos no mundo. “Todo pedaço de plástico já criado ainda existe no planeta”, diz Chelsea Briganti, CEO da Loliware. “Há cinco trilhões de resíduos plásticos em nossos oceanos. Dez milhões de toneladas desse material são produzidas a cada segundo. Plásticos de uso único nunca deveriam ser feitos para durar, mas sim, para desaparecer”.

Vale lembrar que a vida útil de um canudo plástico, fabricado geralmente com poliestireno ou polipropileno, é estimada em 4 minutos. Isso mesmo, 4 minutos! E ele leva aproximadamente 400 anos para se decompor na natureza.

Os canudinhos de alga marinha não tem gosto. Mas podem ser comidos, e no futuro – talvez já no ano que vem -, Briganti revela que eles poderão ter sabor e até, vitaminas.

“Estamos buscando maneiras de tornar a sustentabilidade mais divertida”, afirma.

Se jogado no mar, o canudo da Loliware se desintegra em poucas semanas

Nos Estados Unidos, o preço do novo canudo se equipara ao similar de papel. Ambos são mais caros do que o plástico, mas como destaca a fundadora da Loliware, as fabricantes de plástico ainda não são taxadas pelo impacto que provocam no meio ambiente.

Alternativas não faltam: vidro, metal, inhame

Desde que os canudos plásticos começaram a serem vistos como “vilões”, no mundo inteiro tem surgido alternativas mais sustentáveis.

A marca espanhola Sorbos, por exemplo, lançou um canudo comestível, biodegradável e reciclável! Ele é fito com com açúcar, gelatina bovina e amido de milho. Pode (ou não) ser aromatizado com seis sabores diferentes: limão, lima, morango, canela, maçã verde, chocolate e gengibre. Se ingerida, cada unidade tem 24 calorias.

Para quem procura uma solução de longo prazo, há uma novidade aqui do Brasil mesmo. A marca carioca Mentah vende canudos reutilizáveis. O produto é fabricado com vidro de borosilicato, inerte e termoresistente (o mesmo utilizado em laboratórios). Ele pode ser comprado em um kit, que vem com uma escova de limpeza, e uma sacolinha, pronta para ficar na bolsa ou na mochila, assim pode ser levado para qualquer lugar.

Em Campinas (SP), uma aluna do 2º ano do Ensino Médio, Maria Terossi Pennachin, de 16 anos, desenvolveu um biocanudo, feito a partir de inhame. O canudo ecológico, que ainda está em fase de aperfeiçoamento, é biodegradável, maleável e comestível.

Premiado em uma feira de ciências, o projeto de Maria foi convidado a representar o Brasil na Expo Science International, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em setembro deste ano.

*Com informações da Fast Company

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Fotos: divulgação Loliware

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

3 comentários em “Para substituir o canudo plástico, que tal um feito de algas marinhas?

  • 20 de março de 2019 em 9:20 AM
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    Canudos de papel de antigamente podem muito bem substituir os de plástico, de vidro, etc. e não agridem o Meio Ambiente, dispensando também as pesquisas, às vezes mirabolantes, para a criação do produto, utilizando matérias primas esdrúxulas e bizarras gastando dinheiro com experiências desnecessárias com o intuito de serem aplaudidos, os pesquisadores, pela criatividade e imaginação, porque consideram idéias do passado, ultrapassadas, embora úteis. Fraldas descartáveis também poluem o meio ambiente, sendo responsáveis pelo prejuízo, quiçá irreversível, da fauna e flora, no entanto poucas mamães consideram a necessidade de voltar a utilizar fraldas de pano em seus bebês, por motivos óbvios, mesmo cientes de sua responsabilidade com o Planeta que deixarão para seus filhos.
    https://catracalivre.com.br/parceiros-catraca/as-melhores-solucoes-sustentaveis/canudo-de-papel/

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  • 6 de abril de 2019 em 4:41 PM
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    Interessantíssimo a possibilidade de fazer uso de um canudo feito de alga e enriquecido com vitaminas. É preciso pensar e repensar no mundo de todos nós.

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  • 5 de setembro de 2019 em 11:48 AM
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    Gostaria de saber se a alga kappaphycus alvarezii, serve p/o projeto do plástico renovavel. estou cultivando na maricultura consorciado com mexilhão. Obrigado.

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