Para liberar a criatividade, faça protótipos!

Sempre procuro incluir exercícios de prototipagem nos workshops e treinamentos que realizo porque é uma ferramenta muito poderosa para liberar a capacidade criativa de grupos. É também uma forma de ajudar os participantes a “caírem na real” sobre o potencial de implantação dos projetos idealizados.

Geralmente, os integrantes dos grupos ficam entre curiosos e descrentes em relação à própria capacidade de produzirem protótipos de projetos de natureza social.

Desafio de criatividade


Nesses encontros, costumo desafiar os participantes a elaborarem, em conjunto, uma ação de impacto social e de mobilização no contexto dos projetos em que trabalham. A dinâmica usada inclui uma parte mais teórica, mesclada com exercícios práticos para fixar conceitos, seguida pela prototipagem, em si.

Os grupos seguem uma rota bem clara. Juntos, primeiro têm de discutir e se aprofundar no projeto para o qual devem desenvolver a proposta de ação de impacto. Depois, com base no consenso que venha a emergir, desenham a proposta de ação, seguindo um roteiro comum que inclui elementos claros: Contexto, Audiência, Táticas, Alvos, Metas e Teoria de Mudança.

Registram, então, a visão do grupo para cada um destes elementos em um flip-chart. Somente depois disso é que começam o processo de criar protótipos.

No exercício, propriamente dito, cada grupo transforma estes elementos teóricos do projeto em um protótipo, ou seja, em uma apresentação visual e tridimensional que represente a aplicação prática da ideia. Ao fim, cada grupo apresenta o seu protótipo para os outros participantes, que fazem sugestões e esclarecem dúvidas. Há uma participação intensa e, invariavelmente, os resultados são muito bons.

É importante deixar bastante tempo disponível para esta parte mais criativa – só para a prototipagem, costumo reservar cerca de três horas. O que procuro deixar bem claro para os grupos é que, apesar de ser um exercício de criatividade, é importante seguir etapas propostas: discussão, consenso, registro das ideias, prototipagem.

Criatividade e processos


Na verdade, criar protótipos é uma delícia, especialmente porque usa elementos como jogos tipo Lego, blocos de construção, canetas hidrográficas e post-its de várias cores, tesouras, cola, clips e papeis coloridos. Ou seja, é uma oportunidade de ouro para voltarmos a ser crianças.

Os comentários dos participantes deste tipo de exercício indicam que os protótipos ajudam a “ver” as ideias acontecendo, a ter uma sensação de concretude. Certamente, o efeito é muito mais distinto do que se eles tivessem, simplesmente, apresentado as ideias anotadas no flip-chart, como acontece muitas vezes em exercícios mais tradicionais de planejamento.

Minha sugestão, para concluir este post, é: toda vez que for pensar em um exercício de planejamento de atividades de engajamento inclua, pelo menos, uma sessão de prototipagem!

Fotos: Renato Guimarães

Jornalista, com mestrado em relações internacionais, Renato sempre trabalhou com temas ligados à mobilização e engajamento em causas de impacto social. Morou oito anos no Peru, de onde conheceu bastante da América Latina. Trabalhou em organizações como Oxfam GB, Purpose, Instituto Akatu e IFC/Banco Mundial. Foi sócio de duas consultorias – Gestão Origami e Together – e, hoje, é Diretor de Engajamento do Greenpeace Brasil

Renato Guimarães

Jornalista, com mestrado em relações internacionais, Renato sempre trabalhou com temas ligados à mobilização e engajamento em causas de impacto social. Morou oito anos no Peru, de onde conheceu bastante da América Latina. Trabalhou em organizações como Oxfam GB, Purpose, Instituto Akatu e IFC/Banco Mundial. Foi sócio de duas consultorias - Gestão Origami e Together – e, hoje, é Diretor de Engajamento do Greenpeace Brasil

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