Para denunciar desmatamento, fotógrafo francês retrata índios Paiter Suruí e os projeta na floresta amazônica

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Almir Suruí
, cacique da tribo Paiter Suruí, de Cacoal, Rondônia, está ameaçado de morte. Na verdade, isso é uma constante em sua vida. Na época do governo Lula, ele chegou a ter proteção da Polícia Federal, mas, anos mais tarde, perdeu esse direito. Mas, nem por isso, um dos índios mais conhecidos do mundo – principalmente por suas investidas com o mecanismo de REDD e também pelo reconhecimento da ONU como Herói da Floresta, em 2013 – se intimida.

Incansável, ele denuncia diariamente, as atrocidades que madeireiros e garimpeiros têm cometido – sem qualquer punição – nas terras de seu povo. E pior: com a ajuda de índios da tribo. E foi numa de suas andanças pelo mundo, no final do ano passado, mais precisamente em Paris, que ele conheceu o fotógrafo Phillipe Echaroux.

Almir viaja muito para divulgar o avanço do desmatamento nas terras dos Suruí pelo garimpo e pelo mercado de madeira ilegal – já que os governos brasileiros o ignoram. Ao ouvir os relatos do cacique, Echaroux, que é simpatizante de causas sociais, se colocou à disposição para ajudar.

O artista é conhecido por seus retratos de pessoas famosas e belíssimos ensaios que realiza com desconhecidos pelas ruas. Na conversa entre os dois, ele apresentou seu projeto Painting with Lights (Pintura com Luz), no qual usa um projetor, um gerador portátil e fotografias digitais para fazer projeções gigantes, desde 2014. A estreia foi em Marselha (veja vídeo no final deste post).

“Fiquei encantado com as imagens enormes projetadas em pedras, paredes, árvores e imaginei que ele poderia fazer o mesmo na floresta”, conta Almir. Assim, ele convidou Echaroux para visitar sua aldeia, ainda em 2015, e registrar os rostos dos líderes de seu clã – Gameb -, além de mulheres e crianças.

São as fotos dessas projeções na floresta – às quais Echaroux deu o nome de Floresta de Sangue – que estão começando a circular pelo mundo, via internet (como mostramos aqui), e ficarão expostas na Taglialatella Gallery, na capital francesa até 15/12 deste ano. Depois, devem seguir para outras cidades, a confirmar.

A arte de rua de Echaroux não deixa impressões ou quaisquer marcas por onde passa, a não nas pessoas que assistem à sua arte efêmera, tão fugaz quanto a vida na Terra. Daí a importância de ouvirmos Almir Suruí e seu povo. Mas não só ouvir. Agir para protege-los e para proteger a floresta.

Agora, se delicie com a beleza das imagens projetadas na floresta amazônica, em Rondônia, e espalhe.

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desmatamento-fotografo-frances-retrata-indios-surui-projeta-floresta-amazonica-8O cacique Almir Suruí, pelas lentes e projeção de Echaroux

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Fotos: Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

4 comentários em “Para denunciar desmatamento, fotógrafo francês retrata índios Paiter Suruí e os projeta na floresta amazônica

  • 10 de novembro de 2016 em 2:05 AM
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    Muito legal as imagens do labiway e saga Almir Surui, ele merece por seu trabalho em prol da floresta. Parabéns a Echaroux!

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  • 23 de novembro de 2016 em 6:38 PM
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    Que coisa maravilhosa estas imagens do fotografo Echaroux!Mas quando as autoridades vão fazer alguma coisa já que nós não podemos fazer nada sem auxílio do governos federais,estaduais e municipais.Não tem verba,que os politicos deem as suas cotas,já que eles nadam no nosso dinheiro ,o senado e a câmara e STF O STJ, e o governo TEMER devem tomar providências se ele não fizer os comuna,vão continuar com a cantilena”fora Temer ” já é hora dele dar “muita “atenção para a Amazônia ou os EUA,irão compra-la!!!

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  • 5 de dezembro de 2016 em 12:10 PM
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    Além de precisar de mais incentivo fiscal, como a adoção da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, devemos como consumidor, modificar essa tendência. Sabendo que a metade das espécies de madeira da Amazônia estão em risco de extinção (ver estudo da revista Science Advances disponível também em seu site) talvez seja a hora. É importante que a sociedade exija garantia de origem dos produtos que consome.
    Clément Gérard. Arquiteto. Autor do blog sobre Sustentabilidade: umaarvore.wordpress.com

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