Outono: estação de cuidados e colheita na horta

outono é estação de festa na horta

Com o retorno das noites frescas, a horta atinge seu melhor momento! Em alguns estados do país, as chuvas se abrandam. Solos menos encharcados e dias mais luminosos favorecem os cultivos de folhas delicadas como alface, rúcula, salsa, acelga e repolhos. Abóboras prontas para colher acumularam o calor do verão em seu interior. Há fartura de milho e verduras. O outono carrega o calor do sol do verão para dentro da terra fresca. A  luz cintilante, que tudo ilumina, favorece a vida que se renova no solo com temperaturas mais amenas.

Novas flores desabrocham na horta: mostardas, gengibres, margaridas, cravos, gerânios, tagetes, dálias e zínias. Bom momento também para dividir os canteiros das flores do verão, como lírios, íris, capuchinhos e margaridas.

E para quem semeou cebolinha, é a hora de transplantar e redistribuir as mudas para outros canteiros. Ao transplantá-las, não deixe de fazer a limpeza do excesso de raízes e folhas, que devem ser cortadas pela metade de sua altura. Isto vai ajudar a estimular o crescimento e desenvolver os novos bulbos.

As cebolas, os alhos e as cebolinhas pertencem ao grupo de plantas chamadas de monocotiledôneas. Suas sementes não são bipartidas, como as  sementes das dicotiledôneas, com duas faces e que produzem dois folíolos (feijões, tomates, alfaces, couve, rúcula, abóbora). Na prática, isto quer dizer que suas folhas crescem agrupadas entre si (como se fossem um canudo) – uma folha cresce dentro da outra, como no alho porró e na cebola. A raiz chamada de rizoma é onde elas acumulam  os nutrientes para florir e gerar novas sementes ou novos rizomas, portanto, ao cultivá-las, o corte prematuro de suas flores fará com que novos  rizomas cresçam, aumentando assim o tamanho de nutrientes acumulados no bulbo.

Com o clima mais fresco e o sol menos abrasante, a terra respira frescor pela manhã. Plantas como salsão, espinafre, mostarda, escarola, chicória, alho, couve, batata doce, cará, inhame, cenoura, ervilhas, quiabo e milho trazem abundância de folhas e cores na horta.

Hora de adubar com farinha de osso e composto os canteiros vazios, agregar cinzas aos pés de couve, rúculas, brócolis e couve flor para evitar pragas e reintegrar minerais.

A salsa e o coentro cultivados no verão já devem estar dando flores ou sementes. Minha recomendação é colhê-los para germinar e usar o restante das plantas como cobertura morta. Adube o solo para que os novos cultivos encontrem nutrientes renovados e não esqueça de  fazer a alternância de cultivos de rúcula, alface, feijões, ervilhas, abóboras e tomates, deixando espaço entre eles para as semeaduras de primavera.

Caso sua horta esteja no segundo ou terceiro ciclo de cultivo (um ano e meio), pode ser uma boa hora para dar descanso  ao solo e deixar a terra coberta. Isto funciona também como período de entressafra ou vazio de inverno, impedindo que pragas se estabeleçam entre os cultivos e diminuindo as chances de reinfestação na próxima estação.

E a última dica importante: não esqueça de atualizar o seu registro de cultivos e planejar os canteiros para o próximo ano. Procure alternar o uso dos canteiros na seguinte sequência: primeiro folha ou caule. Segundo ciclo,  flor, terceiro ciclo plantio de fruto e quarto cultivo, plantio de  raiz. Assim sua terra terá sido cultivada de forma alternada, dando espaço e tempo para que cada um deles exerça sua influência sobre o solo. Esta seqüência vai do simples ao complexo e também de acordo com evolução natural das plantas.

E não esqueça que o planejamento do que colheremos no verão começa agora!

Foto: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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