Os ritmos e as horas na vida das plantas

plantas

No post da semana passada O que levas no coração, encontras no teu chão, falei sobre como algumas plantas comuns servem como indicadoras, ou seja, termômetros de como o seu terreno está.

Conforme prometido, hoje vou escrever sobre as plantas que revelam as horas. “Como assim?”, você deve estar se perguntando. Bem, vou explicar: são plantas comuns, muitas delas incorporadas ao Brasil pelos colonizadores, algumas medicinais, outras ornamentais. Carl Von Linneus ou Carolous Linnaeus (criador do método da nomenclatura, a Taxonomia ), em 1751, criou um jardim para demonstrar as horas, onde várias plantas floríferas juntas cultivadas num círculo, constituíam um relógio floral.

O intuito de Linneus era demonstrar os ritmos circadianos (ritmos vitais) das plantas, pois suas flores abrem e fecham em certos horários do dia. O conceito foi proposto numa publicação chamada Horologium florae, do compêndio de estudos do mesmo autor, chamado de Filosofia botânica.

Como Linneus vivia na Suécia, e algumas destas plantas não vicejam por aqui, incluí na lista que fiz algumas plantas conhecidas em nosso país. Entretanto, é importante salientar que algumas diferenças entre os horários podem ocorrer por causa dos horários de verão e inverno e das latitudes, alterando o florescimento, de acordo com cada local e as exigências de cada planta.

Algumas delas, bem conhecidas e citadas no meu  último post, como a onze horas (Portulaca grandiflora L.), que abre no horário que lhe dá o nome, e outras delas, corriqueiras habitantes de terrenos baldios e calçadas, porém, que não são usadas como plantas ornamentais porque no Brasil são consideradas invasoras, como é o caso da serralha e do dente de leão.

É importante entender que a proposta de Linneus era provar a regularidade nos ritmos da vida das plantas. Sendo ele um grande estudioso e naturalista de sua época, a questão ornamental era secundária.

Na lista abaixo, você encontra os horários em que as flores abrem (algumas estão somente com o nome científico).

Você não quer tentar fazer um relógio floral no seu jardim?

3:00 – Tragopogon pratensis L.

4:00 – Leontodon hispidum L. 

4:00 – 5:00 – Helminthotheca echioides L.

4:00 – 5:00 – Cichorium intybus L. – Chicória Silvestre

4:00 – 5:00 – Crepis tectorum L.

4:00 – 12:00 – Sonchus oleraceus – Serralha

5:00 – 9:00 – Taxaracun officinale Weber – Dente de leão

6:00 – Sonchus arvensis L. – Serralha

7:00 – 14:00 –Sonchus palustris 

7:00-10:00 – Lactucca sativa L- Alface

7:00 – 16:00- Calendula pluvialis L.– Calêndula

7:00 – 17:00 – Nymphaea alba L. – Ninféia

11:00 -15:00 – Ficoiderododendro simsii- Flor de postemeira, flor do guarujá ou funcionário público

12:00 – Passiflora Ssp – Maracujá

14:00 – Anagalis arvensis- Pincel vermelho

16:00 – Oxalis ssp – Trevo, azedinha

17:00 – Mirabilis jalapa – Boa noite, jalapa

18:00 – Ipomea alba, Flor da lua

21:00 – 24:00 – Epiphyllum oxypetalum – Rainha da noite (a linda flor que abre este post)

 

Foto: Maciej Szczepaniak/Creative Commons/Flickr

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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