Orquídeas, flores mais do que especiais!

orquídeas

Dentro da Botânica, a família das orquídeas é chamada de Orchidaceae. É uma das mais numerosas do reino vegetal. Embora existam orquídeas em praticamente todo o globo terrestre, mais da metade se encontra em regiões tropicais, como o Brasil.

As orquídeas são plantas extremamente adaptadas em termos de evolução, estão entre as mais especializadas, ao ponto de existirem orquídeas que só se polinizam (completam sua fertilização) com a ajuda de um único inseto, como é o caso da baunilha, originária das ilhas do Pacífico. Este é um dos motivos de serem tão raras e diversas, provocando fascínio entre seus colecionadores.

Apesar de serem muito comuns por aqui e escolhidas como um dos principais presentes quando alguém quer dar uma flor a alguém querido, nem todo mundo sabe qual é a maneira certa de cultivar uma orquídea. Neste post e ao longo de outros, vou tentar esclarecer algumas dúvidas sobre o cultivo desta linda flor.

Para cuidar bem de uma orquídea, é preciso saber de onde ela vem. Existem orquídeas tão raras quanto o seu habitat, e quanto menor o nicho da espécie, mais rara sua distribuição. Nicho é o conjunto de  estruturas  que sustentam a vida de uma espécie, como por exemplo, no caso das orquídeas, o lugar onde ela cresce, em que tipo de substrato (solo) ela deita suas raízes, a umidade do ar onde ela vive, além de outros fatores como temperatura, tipo de luz, ventilação e insetos que fazem parte da sua sobrevivência.

Uma vez que você descubra a origem da sua orquídea muitas delas têm este registro nas instruções de cuidado, mas se a sua não possuir, pergunte ao vendedor da loja, que certamente poderá te ajudar -, o próximo passo será reproduzir seu ambiente natural, da maneira mais próxima possível.

Atualmente as orquídeas mais vendidas nas lojas de jardinagem são a Phalaenopsis amabilis, a chuva de ouro (Oncidum varicosum rogersii), a orquídea chocolate (Oncidium sharry baby) e as cattleyas. Todas elas são orquídeas resistentes, que florescem por longos períodos (suas flores podem durar até dois meses) e voltam a florir, uma a duas vezes ao ano, com um pouco de  cuidado.

Hoje vou falar sobre as epífitas ou dendrícolas. O nome é complicado, mas nada mais são do que as orquídeas que vivem em cima das árvores. Esta espécie absorve a umidade do tronco onde está fixada. Nele, encontra exatamente o que precisa, já que não tolera acúmulo de água em suas raízes e folhas. Caso a água se acumule, a planta apodrece.

Além da umidade e do suporte, a epífita não extrai qualquer alimento do tronco. Esta planta realiza a fotossíntese a partir de nutrientes absorvidos do ar e da chuva, ou então, de fragmentos que caem próximo às suas raízes. Em geral, a epífita floresce até quatro vezes ao ano, e algumas, produzem longas hastes com múltiplas flores. Já outras, possuem flores imensas e perfumadas.

orquídeas

Epífitas ou dendrícolas vivem em cima das árvores, absorvendo a umidade de seus troncos

As orquídeas desta espécie devem ser adubadas depois do segundo ano de cultivo, com adubo apropriado para este tipo de planta. Devem ser plantadas num substrato de material inerte (seco e morto), como cascalho, cinasita (argila expandida), casca de coco em cubos ou de outra árvore qualquer.

Tome cuidado para que a luz solar não incida sobre ela depois das 8h da manhã, nem antes das 5h da tarde. Faça uma rega abundante uma vez por semana, molhando folhas e raízes como se fosse uma chuva de verão.

Durante o inverno, pode demorar um pouco mais para que as raízes se sequem se você viver perto da costa, e um pouco menos se viver no interior do país. Evite regá-las nos dias mais  frios do inverno, e nas horas de maior calor. Sim, orquídeas são  plantas sensíveis e gostam de mimos, como por exemplo, o borrifar das suas folhas  para amenizar as altas temperaturas e hidratá-las sem umedecer demais suas raízes.

Quanto à ventilação, é importante saber que uma brisa leve pode regular a temperatura de sua planta no verão. No entanto, ventos frios podem provocar manchas e o apodrecimento dos botões.

Não corte as flores que forem murchando, nem a haste floral, porque a orquídea reabsorverá toda a água e os nutrientes antes que estes caiam. Uma vez que a haste esteja completamente seca, certifique-se que não haja uma nova haste floral. Antes de cortar, muitas vezes uma velha alimenta a nova, além de  servir de guia. Quando for retirá-la, use uma pequena tesoura para fazê-lo.

Outras dúvidas? Mande para mim e adorarei ajudá-lo a cuidar das suas orquídeas e da sua horta.

Leia também:
Enfim, o outono chegou! 
Horta nas alturas como nos Jardins da Babilônia
Hora de sujar as mãos … ou não!
Sol e água na medida certa
Cada planta com seu torrão
Terra de muitos tons

Fotos: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

2 comentários em “Orquídeas, flores mais do que especiais!

Deixe uma resposta