Até 2050, Orlando quer usar apenas energia 100% limpa


Parece longe demais, né? Mas este passo dado pela administração de Orlando (comissários e prefeito), é muito importante no combate às mudanças climáticas e para o futuro. Ainda mais se levarmos em conta de que esta é uma cidade que recebe milhões de pessoas do mundo todo, anualmente, por causa de seus famosos parques temáticos, entre eles os da Disney, da Universal Studios, Hollywood Stuidos, que dependem de muita energia para funcionar.

A decisão foi divulgada na semana passada, depois que o Conselho Municipal, votou, de forma unânime, na adoção da energia 100% limpa em, no máximo, 33 anos. Dessa forma, a maior cidade da Flórida se junta a outras 39 cidades americanas – entre elas San Diego, na Califórnia, e Salt Lake City – que também já revelaram seu desejo de ter a origem de sua eletricidade no sol e no vento.

O prefeito, Buddy Dyer, disse que, além de combater as mudanças climáticas e a poluição, reduzindo emissões de gases de efeito estufa, o movimento na direção das energias renováveis aumenta as oportunidades para a economia da região, com a criação de novos empregos na indústria, por exemplo. Só os postos de trabalho relacionados à produção de energia solar cresceram dez vezes mais rápido do que a economia geral do estado, totalizando 1.700 novos empregos.

Na contramão do que brada o presidente Donald Trump e do que pode defender o Legislativo da Flórida (dominado pelos republicanos), Dyer e outros prefeitos em todo o país vislumbraram no desenvolvimento sustentável o único caminho para ajudar a driblar o aumento das temperaturas e do nível do mar. “A administração atual dos EUA decidiu não honrar o compromisso com o Acordo Climático de Paris. Mas, então, já que nada será feito em nível federal, entendemos que precisávamos liderar em nível local”, destacou ele. “Mais de 50% da população mundial mora em cidades. Não podemos ignorar isso, pois se trata de uma questão que terá consequências não só neste ano, mas por décadas e até séculos”.

Mas este não é o primeiro movimento da cidade em busca de sustentabilidade. Durante os últimos dez anos, Orlando implementou a iniciativa Green Works Orlando para se tornar uma das cidades mais sustentáveis do sudeste dos Estados Unidos. E, para colaborar com o Acordo de Paris, a cidade se comprometeu, inicialmente, a reduzir 90% de suas emissões de poluição do ar e gases de efeito estufa até 2040. Para dar início a essa jornada, decidiu adotar só energia renovável em 100% das operações municipais, até 2030.

No ano passado, o Departamento de Energia dos EUA e a Fundação Solar declararam Orlando como uma Cidade SolSmart, devido à sua liderança na expansão de fontes de energia limpa. A SolSmart é uma consultoria que oferece reconhecimento e assistência técnica, sem custo, para ajudar governos locais a reduzirem barreiras à implantação da energia solar.

“Para produzir eletricidade, o poder do sol é muito mais barato do que o dos combustíveis fósseis, incluindo carvão e até gás natural”, disse Chris Castro, diretor de sustentabilidade da prefeitura. “O que queremos fazer é manter a acessibilidade de nossas tarifas de eletricidade. Muitas pessoas ainda pensam que, ao passar a usar energia solar, vão gastar mais e isso não é verdade! Poderemos nivelar o custo ao longo de décadas, e manter a acessibilidade e a confiabilidade nesse serviço, em Orlando”.

O compromisso da cidade é chegar a 100% de energia renovável até 2050, mas, no dia em que a prefeitura divulgou essa intenção, um de seus comissários Sam Ings – propôs que o prazo seja encurtado para 2035. Ótima proposta, mas, por ora, não é possível assumi-la. De qualquer forma, é importante ressaltar que a meta poderá ser atualizada a qualquer momento, também em função da tecnologia adotada.

A declaração de Orlando foi aplaudida pela First 50 Coalition, ampla aliança que promove questões de sustentabilidade local e reúne algumas organizações de peso como a Liga das Mulheres Eleitoras do Condado de Orange, o Sierra Club (fundado em 1892 pelo conservacionista John Muir, é a maior e mais influente organização ambiental dos EUA, atuando fortemente contra os combustíveis fósseis) e o Florida Solar United Neighborhoods (União de Bairros Solares da Flórida).

“Eu vejo essa votação como histórica e um primeiro passo para o que podemos fazer como lideranças no cenário nacional”, comentou Sara Isaac, diretora de parcerias da Liga. “É um sinal inspirador para todo o país do tipo de cidade que Orlando quer ser”. Phil Compton, da Ready for 100% Campaign (coalisão de prefeitos pela energia limpa dentro do Sierra Club), também elogiou a decisão: “Em todo o nosso estado e na nossa nação, inúmeras cidades estão se comprometendo com um futuro alimentado por 100% de energia limpa e renovável para todos. Hoje, Orlando junta-se a este movimento crescente”.

Com informações de Orlando Weekly

Foto: TripAdvisor/Divulgação

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Deixe uma resposta