Reconexão Amazônia e a importância da conexão afetiva com a floresta

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Com muito orgulho conto, aqui, no Conexão Planeta, que o Reconexão Amazônia – que dá nome a este blog -, nasceu em 2014 e é pioneiro ao afirmar, aos quatro ventos, que a conexão afetiva e emocional com a floresta é fundamental para que possamos mantê-la viva para esta e as futuras gerações.

Esse despertar é lento e gradual, mas sabemos que estamos no caminho correto. Acredito que, para combater a destruição desta floresta, é imprescindível investir no aumento de afeto por ela. Precisamos fazer a transição do egocentrismo para o ecocentrismo.

Todas as ações do Reconexão Amazônia são baseadas na ecologia profunda.  A inspiração também vem da ecopsicologia, teoria dos sistemas vivos, ciência moderna, ciência holística e em tradições espirituais do xamanismo, budismo e cristianismo. Os autores que mais inspiram meus estudos e atitudes são aqueles que conhecem o Reconexão Amazônia de perto e o apoiam de diversas maneiras: Satish Kumar, Stephan Harding, Joanna Macy e Antonio Donato Nobre. Além destes, me baseio no pensamento de Fritjof Capra, Joseph Cornell, Carl Jung, Theodore Rozak, Richard Louv, Jamie Sams, James Lovelock, Rupert Sheldrake, Arne Naess, Gregory Bateson e Thomas Berry para todas as ações envolvendo o despertar do afeto pela floresta, desde aulas e palestras às viagens para a Amazônia.

Conexão afetiva com a Amazônia naturalmente faz com que as pessoas se tornem multiplicadoras de sua beleza e importância, engajando-se e provocando engajamento na proteção deste bioma tão fundamental para toda vida existente no planeta.

Diz Stephen Jay Gould no livro Eight Little Piggies, que “não travaremos a batalha para salvarmos as espécies” e os ecossistemas da Terra se sentirmos por eles apenas uma admiração abstrata. É necessário mais. É necessário amá-los. Quando amamos, nos importamos com o que amamos. Quando nos importamos, agimos e protegemos.

Felizmente, aos poucos tenho constatado que mais pessoas, empresas e organizações começam a atentar para a importância de despertar conexão com a maior floresta da Terra, para muito além de apenas informar sobre seus dados de desmatamento ou, até mesmo, suas riquezas biológicas. Será que meu “disco riscado” sobre o tema tem algo a ver com isso? :)

O caminho para a reconexão não é mais pela guerra, mas sim pela paz, pelo entendimento, pelo diálogo, pela união da informação com ações de sensibilização. Cada vez mais, o ativismo de “ataque” dará espaço ao chamado “Ativismo Delicado”, termo cunhado por Allan Kaplan e Sue Davidoff.

Vamos nos unir para despertar e expandir o afeto?

Entre os principais aliados do Movimento Reconexão Amazônia estão você, seus amigos, sua família. Sem seu apoio, sua escuta, seu coração aberto, todo esforço de união entre este movimento e artistas, cientistas, organizações simplesmente não daria em nada.

Se “despertar o afeto” pela floresta faz sentido para você, imediatamente você mesmo se torna um membro deste grande movimento. Com seu olhar desperto, sua mente antenada, seu olhar sensível e seu coração aberto, fica muito mais gostoso e fácil de falar sobre isso para muitas outras pessoas.

E como despertamos esse afeto pela Amazônia?

Já disse isso por aqui e falarei cada vez mais sobre: a conexão afetiva com a Amazônia começa com o despertar de sua conexão afetiva com a natureza que está ao seu redor.

Daí, o despertar segue para o afeto com a natureza em lugares mais distantes, até seu coração transbordar de afeto por todas as manifestações da natureza no âmbito da existência. Afinal, nem todo mundo terá o privilégio de viajar até a floresta. A conexão afetiva com ela – bem como com outras partes da natureza – não pode se restringir aos que os visitam pessoalmente.

Outro caminho para o despertar do afeto pela floresta está na educação. Como já disse por aqui, na escola normalmente aprendemos um monte de números sobre a Amazônia (de rios, espécies, plantas, km2, cidades e por aí vai…), mas números não traduzem o sentimento, não estimulam adequadamente emoções que levariam ao afeto. É preciso que haja um novo modelo de educação sobre a floresta, algo que seja capaz de despertar emoções e sentimentos. Também falei sobre isso nesse outro post aqui.

Esses são os dois primeiros passos fundamentais para despertar afeto e conexão emocional com a floresta.

Nesta jornada, sinto de lembrar e honrar os povos da floresta, que são seus primeiros e principais guardiões. Todos os povos indígenas que habitam a Amazônia fazem parte desse movimento de reconexão: há séculos eles praticam a sustentabilidade e usam os recursos naturais disponíveis com extremo respeito e sabedoria. Com eles, temos muito o que aprender.

Estão todos convidados a entrar no caminho do afeto com a gente. Vamos nessa?

Para acompanhar mais de perto o que posto sobre estes e outros assuntos, me segue nas redes:
– Instagram: @karina.miotto
– Twitter: @karinamiotto
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– Reconexão Amazônia no instagram: @reconexaoamazonia

E até o próximo post!

Foto: Marco Simola/CIFOR/Creative Commons/Flickr 

Karina Miotto

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

Um comentário em “Reconexão Amazônia e a importância da conexão afetiva com a floresta

  • 25 de abril de 2018 em 7:36 AM
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    Oi Karina! Te encontrando por aqui tbm! :)

    “Quando amamos, nos importamos com o que amamos.
    Quando nos importamos, agimos e protegemos.”

    Sabe, a primeira pedra é o amar e precisa ser resgatado junto com a reconexão. Amar, principalmente a si, para ver a necessidade, expor a fragilidade e reconectar E reconectar para sentir, para aprofundar e amar a si, ao outro, ao mundo.

    Que vontade enorme de falar contigo!

    Ótimo dia!

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