Ativismo e pensamento estratégico


A estratégia faz parte das nossas vidas, mesmo quando não pensamos nela. De manhã, quando nos preparamos para ir ao trabalho, estudo ou algum outro compromisso geralmente paramos para pensar qual será a melhor forma de chegar. De carro, transporte público, aplicativo? Esta é uma reflexão estratégica importante, porque pode determinar se chegaremos atrasados, ou tranquilos, ou completamente amassados.

Da mesma forma, quando pensamos em pedir um aumento de salário ou uma mudança de cargo, ou quando queremos nos aproximar daquela pessoa que nos interessa, ou ainda se mudamos de emprego ou investimos nossas economias em uma pós-graduação. Todas são situações do cotidiano que nos obrigam a pensar estrategicamente para tomar decisões. Isso vale para quando pensamos ou nos engajamos em uma causa, em uma ação coletiva de impacto social ou ambiental.

A estratégia nasce originalmente no ambiente militar, codificada pelos gregos mais de 2 mil anos atrás como a arte de comandar. Mas na prática, estratégia é um processo, uma espécie de roteiro de novela, que nos permite estar preparados para mudanças e para o inesperado. Principalmente, nos ajuda a estar mais seguros nas decisões que vamos tomar em todos os aspectos de nossas vidas.

O pensamento estratégico nos permite pensar no longo prazo, considerar e pesar as diversas variáveis, tomar decisões, aprender dos erros e acertos. Sendo algo tão importante e para o qual muitas vezes a gente não dá a devida atenção, gostaria de seis elementos que considero muito importantes:

  1. Antecipação: está relacionado a ter uma visão periférica de longo prazo. Em outras palavras, olhar adiante é importante mas também devemos prestar atenção ao que acontece ao nosso redor – tendências e ideias emergentes que podem ser consideradas na transformação. Precisamos estar abertos a informações fora da nossa zona de conforto e estar atentos ao “zeitgast” (pronuncia-se “tzait.gaisst”), termo alemão que pode ser traduzido como “espírito da época” ou o “sinal dos tempos”.
  1. Pensamento crítico: devemos estar abertos a questionar nossas próprias ideias e crenças, reformulando os desafios para nos aprofundarmos no tema que nos interessa e para entender as causas e consequências futuras.
  1. Interpretação: é fundamental sermos capazes não apenas de reconhecer, mas de interpretar dados e informações provenientes de várias fontes. O pensamento estratégico nos ajuda a organizar o “caos” e a sintetizar informações de várias fontes antes de desenvolver um ponto de vista consolidado.
  1. Decisão: devemos lembrar que o ótimo é inimigo do bom. Em alguns momentos, é necessário tomar uma decisão e agir, por mais que o ciclo não esteja 100% redondo. Para isso, é importante que o problema a ser atacado esteja bem definido. O modo de atuação em “beta” nos ajuda a entender que erros e acertos fazem parte intrínseca do processo de aprendizagem e retroalimentam o pensamento estratégico, ajudando-nos a evoluir.
  1. Alinhamento: alcançar consenso não é fácil. Principalmente porque o pensamento estratégico envolve diálogo aberto, construção de confiança e engajamento de partes interessadas. Por isto, mesmo considerando as diferenças entre os atores é importante ter um mínimo de alinhamento (mesmo com aqueles demonstraram desconforto com o tema) para que possamos construir uma rede de apoio que possa fazer frente aos riscos potenciais inerentes a novas iniciativas ou abordagens.
  1. Aprendizado: finalmente, mas não menos importante – na verdade, é muito importante!! -, ter um processo de avaliação e feedback honesto e direto. Devemos sempre cultivar este feedback e fazer bom uso dele para aprimorar nossas práticas. Relembramos aqui que os “erros” são tão importantes como os acertos em qualquer processo de aprendizagem.

Termino deixando a indicação de cinco textos que podem ajudar a aprofundar seu entendimento sobre Estratégia:

Foto: Maarten van den Heuvel/Unsplash

Jornalista, com mestrado em relações internacionais, Renato sempre trabalhou com temas ligados à mobilização e engajamento em causas de impacto social. Morou oito anos no Peru, de onde conheceu bastante da América Latina. Trabalhou em organizações como Oxfam GB, Purpose, Instituto Akatu e IFC/Banco Mundial. Foi sócio de duas consultorias – Gestão Origami e Together – e, hoje, é Diretor de Engajamento do Greenpeace Brasil

Renato Guimarães

Jornalista, com mestrado em relações internacionais, Renato sempre trabalhou com temas ligados à mobilização e engajamento em causas de impacto social. Morou oito anos no Peru, de onde conheceu bastante da América Latina. Trabalhou em organizações como Oxfam GB, Purpose, Instituto Akatu e IFC/Banco Mundial. Foi sócio de duas consultorias - Gestão Origami e Together – e, hoje, é Diretor de Engajamento do Greenpeace Brasil

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