Orca imita palavras em estudo sobre a comunicação dos animais

orca

É realmente impressionante! Cientistas já não tinham dúvidas sobre a inteligência e a capacidade de comunicação de algumas espécies, mas um novo estudo conduzido em conjunto por pesquisadores da Universidade de St. Andrews, na Escócia, e da Universidade de Madrid, traz uma descoberta surpreendente.

Em artigo publicado na revista The Royal Society – Imitation of novel conspecific and human speech sounds in the killer whale os cientistas relatam que uma baleia orca (Orcinus orca) conseguiu imitar a linguagem humana em testes realizados em um parque marinho na França.

Wikie com sua treinadora

As palavras, faladas por seus treinadores, foram repetidas por uma orca fêmea, Wikie, de 14 anos. Ela conseguiu imitar o som das palavras hello, bye-bye e o nome Amy. A baleia fez ainda a vocalização dos números one, two, three.

Os pesquisadores escolheram palavras desconhecidas para a baleia. Nenhuma que fosse usada no dia a dia de seu treinamento. E as repetiram por diversas vezes.

Para surpresa dos cientistas, a orca conseguiu reproduzir as palavras rapidamente, algumas delas, já na primeira tentativa.

Biólogos sabem há muito tempo que as killer whales tem uma linguagem particular com os outros indivíduos de seu grupo. Quando são transferidas de um ambiente para outro, mudam, inclusive, sua vocalização para se adaptar ao novo habitat. Todavia, até então, os cientistas não tinham evidências de que esses “dialetos” da orca poderiam ser resultado de aprendizado.

“Nosso estudo sugere que esta é também uma explicação plausível sobre como as orcas, livres na natureza, aprendem as vocalizações de outros indivíduos e como elas se desenvolvem e transmitem seus dialetos”, afirma Josep Call, da  Escola de Psciologia e Neurociência da Universidade de St Andrews.

Baleias e golfinhos, assim como algumas espécies de aves, são alguns dos poucos animais, além dos seres humanos, que podem aprender a produzir novos sons apenas os ouvindo.

Quem é a baleia orca?

Entre os leigos, ela é mais conhecida como orca. Já para os biólogos, é a killer whale (baleia assassina, em inglês). A origem deste último nome é baseada na observação de cientistas, que notaram que o animal caça outros tipos de baleias.

Apesar de ser chamada de “baleia”, a orca (Orcinus orca) é um cetáceo, que pertence à família dos golfinhos – o maior deles, por isso mesmo, suas características físicas são bastante semelhantes com a de seus primos. Como outros cetáceos, elas podem ser identificadas individualmente pelos cientistas por causa de marcas naturais e diferenças no tamanho e formato das nadadeiras.

Os machos geralmente são maiores que as fêmeas. As orcas chegam a medir entre 5 a 9 metros de comprimento e podem pesar até 5.400 kg. Até hoje, o maior macho já achado media 9,8 metros e tinha mais de 9 kg.

O ciclo de vida das orcas é muito similar ao dos humanos. As fêmeas atingem a maturidade por volta dos 15 anos (mas os pesquisadores do Center for Whale Research já registraram o nascimento de um filhote de orca de apenas 11 anos). O período de gestação dura entre 15 e 18 meses e em geral, nasce um filhote a cada cinco anos. O indíce de mortalidade é muito alto: entre 37% e 50% deles morrem antes de completar o primeiro ano de vida.

A longevidade das orcas fêmeas é de 50 anos, todavia, muitas delas chegam a viver até os 100. Atualmente, J2 é a baleia mais velha sendo acompanhada pelos pesquisadores americanos. Ela tem 103 anos. Já os machos, vivem bem menos. Soltos na natureza, eles chegam aos 29 anos, podendo atingir, entretanto, 50 ou 60. Mas quando são presos em cativeiro, estes animais perdem quase 25 anos de sua vida.

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Fotos: domínio público/pixabay (abre), divulgação Marineland e vídeo The Telegraph

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

2 comentários em “Orca imita palavras em estudo sobre a comunicação dos animais

    • 12 de fevereiro de 2018 em 8:56 AM
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      Roberto,
      Todas as informações estão dentro do texto da matéria.
      Abraço,
      Suzana

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