Ooho!: engenheiros criam bolha de alga para eliminar uso de garrafas plásticas


Elas são uma praga da modernidade. Inventadas para facilitar a vida dos consumidores, as garrafas plásticas armazenam água, refrigerantes, detergentes, desinfetantes, cremes e emporcalham cidades, ruas, a natureza, contaminando rios e oceanos. Quero dizer, isso acontece porque boa parte dos consumidores não se importa com seu destino.

Por ano, chegam aos oceanos cerca de um bilhão de garrafas plásticas, que – junto com tampinhas, potes e outros utensílios feitos do mesmo material (são oito milhões de toneladas de resíduos plásticos/ano!) – causam a morte de inúmeros animais e alteram o ecossistema e a qualidade da água no planeta.

Foi pensando nesse tremendo estrago que os engenheiros Pierre Paslier e Rodrigo Garcia Gonzales, da startup inglesa Skipping Rocks Lab (especializada em embalagens sustentáveis, feitas com materiais naturais), dedicaram dois anos para criar a Ooho!.

Trata-se de uma película gelatinosa feita de um extrato natural de algas marinhas e cloreto de cálcio, que forma uma espécie de cápsula maleável ao redor da água (ou de qualquer outro líquido). Segundo Gonzales (em depoimento dado ao site da Lexus, que premiou a iniciativa em 2014), a criação da Ooho! teve por base a técnica da esferificação usada na culinária, que foi  patenteada nos anos 40 pela indústria alimentícia e recriada pelo chef espanhol Ferràn Adria, do famoso restaurante elBulli, entre os anos 1990 e 2000.

Totalmente comestível, a Ooho! elimina o uso de garrafas e de copos plásticos e também ajuda a reduzir os custos que envolvem essa produção e as emissões de CO2 que provocam o aquecimento global. Mas, quem não quiser comê-la – pelos vídeos, é possível perceber que, num primeiro momento, todos estranham a textura -, pode descartá-la sem grandes cuidados já que é biodegradável e desaparece em 4 a 6 semanas, sem prejudicar o meio ambiente.

Não é genial? Uma alternativa super sustentável para acabar com nosso absurdo costume de tomar água engarrafada e que, quem sabe, com o tempo, nos ajudará a resgatar a boa e velha jarra de água (que ainda pode vir do filtro de barro), de vez em quando.

Muito além da água mineral…

A invenção feita de algas não se limita à água, claro! Abriga qualquer líquido, como refrigerantes e sucos industrializados (argh!). Além disso, a Ooho! pode ser colorida e ter sabores variados, rendendo-se aos apelos de consumo promovidos pela indústria.

E seu uso ainda pode ir além: pode ser utilizada para acondicionar cosméticos, produtos de limpeza, entre outros, só que, neste caso, deixa de ser comestível, obviamente.

Copinhos plásticos pelo chão? Nunca mais!

O lançamento foi em 2013. E, agora, com financiamento obtido na plataforma Crowdcube (a campanha “Pense fora da garrafa” foi encerrada este mês), o Skipping Rocks Lab conquistou investidores e mais de U$ 1 milhão (cerca de R$ 3,104 milhões) para começar a produzir as bolhas e testá-las em eventos no Reino Unido – como a Maratona de Londres (que aconteceu no último domingo, 23/4, e geralmente consome 750 mil garrafas plásticas de água). Também já participou de pequenos eventos em San Francisco e Boston, nos Estados Unidos. O próximo será o Glastonbury, segundo maior festival de música do mundo, que tem o apoio do Greenpeace e da Oxfam e acontecerá em junho, em Londres.

Quando tomei conhecimento da existência da Ooho!, rapidamente lembrei do rastro de copinhos deixados pelo chão no circuito de maratonas realizadas perto de casa, em São Paulo, em alguns fins de semana. Além do cenário terrível – ao qual todos parecem ter se acostumado -, não dá pra ignorar o impacto ambiental. Então, imagine poder eliminar essa prática de eventos que reúnem tanta gente! Ainda mais de encontros que primam pela saúde e o bem-estar. Também uma bela forma de educação ambiental, sem dúvida.

Invenção premiada

O Skipping Rocks Lab faz parte do programa de aceleração de projetos do KIC Climate, fundado pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT), que tem sede no Imperial College de Londres como comentei acima, e já foi premiadíssimo pela invenção.

Em 2014, ganhou o Lexus Design Award e o World Techonology Award, oferecido pelas revistas Fortune e TIME. Em 2015, foi a vez do Sustainable Entrepreneurship Award e, em 2016, do Energy Globe Award, do Reino Unido.

Agora, assista as dois vídeos promocionais da Ooho, ouça seus criadores e veja a reação de quem experimentou beber água numa ‘bolha feita de alga’:

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Foto: Divulgação

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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