ONU premia iniciativas de comunidades indígenas brasileiras do Xingu e Ashaninka


No Brasil, os índios carecem de respeito e atenção de boa parte dos brasileiros e do governo, e são, inclusive, massacrados. Lá fora, eles são observados e reconhecidos por tudo de precioso que fazem pela terra, pela preservação das matas, por sua riqueza cultural e sua sabedoria de aliar desenvolvimento e conservação.

Por isso, em 17 de setembro, representantes de associações do Xingu e dos Ashaninka estarão em Nova York para receber o Prêmio Equatorial das Nações Unidas, criado pelo Programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento, o PNUD, há quinze anos, para homenagear iniciativas de indígenas e povos tradicionais pelo mundo, que combatem a pobreza e as mudanças climáticas e atuam pelo desenvolvimento sustentável.

Será uma cerimônia de grandes celebrações, durante a 72a. Assembleia Geral da ONU, que ainda terá a presença de representantes de outras 13 entidades de 12 países da África, Ásia e América Latina/Caribe.

Xingu: mel orgânico e certificado


Sobre a homenagem da ONU à Associação Terra Indígena Xingu (ATIX), escrevi, aqui no Conexão Planeta, em julho deste ano. A instituição reconheceu o trabalho realizado por 100 apicultores de 39 aldeias dos povos Kawaiwete, Kisêdjê, Ikpeng e Yydja que participam da produção de mel certificado.

De acordo com o site da ONU, a renda gerada com a venda do mel orgânico produzido no Xingu contribui para que a cultura indígena siga pulsante, além de promover e manter a prática de uma vida sustentável nos 27 mil km2 da TIX.

É interessante lembrar que, em 2015, essa associação foi a primeira indígena a obter licença do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para atuar como certificadora de produtos orgânicos produzidos de forma comunitária. Com a obtenção desse aval do estado, eles evitam o alto custo e a burocracia dos sistemas de certificação auditados por empresa especializadas privadas.

Ashaninka: mapeamento e preservação


Criada em 1991, a Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa), do município de Marechal Taumaturgo, no Acre, adotou tecnologias de mapeamento territorial em 3D com o intuito de demarcar os limites da reserva e também criou um plano de gestão da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, que tem cerca de 87 mil hectares e abriga cerca de 800 índios. Além disso, criou um centro educacional que promove práticas de agrofloresta e o intercâmbio entre comunidades Ashaninka do Brasil e Peru, como também com outros grupos indígenas, não indígenas e centros educacionais da região.

Dessa forma, “desenvolveu estratégia coesa para defender as terras indígenas e também melhorar os meios de subsistência da comunidade”, afirma o PNUD no site do prêmio.

O prêmio

A entrega do prêmio de 10 mil dólares (cada) acontecerá durante a 72a. sessão da Assembleia Geral da ONU, que também celebrará os quinze anos do PNUD e do prêmio. Lá estarão os 15 vencedores oriundos de 12 países da Ásia Central e Europa Oriental (Casaquistão, Paquistão, Indonésia com dois projetos, Tailândia e Índia), América Latina e Caribe (Brasil com dois projetos, Belize, Equador, Guatemala e Honduras) e África Subsahariana (Quênia com dois projetos e Mali).

E olha que a concorrência foi grande!! Cerca de 800 organizações de 120 países inscreveram projetos com soluções inovadoras.

Empolgado, Achim Steiner, diretor do PNUD, disse ao site da ONU: “Ao destacar iniciativas de todos os cantos do mundo, esperamos que outras pessoas se inspirem em seus exemplos. Sua dedicação e seu compromisso mostram o que é possível fazer quando as comunidades se unem para proteger a natureza e geri-la de forma sustentável, para o benefício de todos.

Fotos: Sebastião Salgado/Divulgação ONU (Ashaninka, no destaque e no meio do texto) e Marcelo Martins/Instituto Socioambiental (produção de mel no Xingu)

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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