Onde a natureza está


Fotógrafo de natureza
. Toda vez que me vejo obrigado a classificar o que faço na fotografia, essa é minha resposta. Mas, imediatamente, me vem na cabeça uma citação do Oscar Wilde, no livro O Retrato de Dorian Gray: “Definir é limitar”.

A princípio, lembrava dessa frase porque não fotografo só natureza. Não convivo bem com esse limite. Adoro fotografar pessoas e, vez ou outra, paisagens urbanas, arquitetura ou sei lá mais o quê. De fato, consigo apenas listar alguns temas que não fotografo de jeito nenhum, mas sou aberto às demais possibilidades.

Ocorre que, há umas semanas, estava num daqueles momentos de organização do acervo de imagens. Comecei a ver o número de fotos feitas em alguns dos lugares mais marcantes que estive. E então veio a curiosidade de saber qual meu local mais fotografado. Descobri que onde mais fotografei até hoje é – pasmem – o entorno da minha casa!

Nesse momento, a frase do Oscar Wilde tomou uma nova dimensão. Passei a tentar tornar explícito o que eu entendia por natureza. Porque, com minhas definições atuais, percebi que, proporcionalmente falando, eu era mais fotógrafo da minha casa do que de natureza.

Mas, quando comecei a ver as fotos que faço em minha casa, descobri imagens da “minha natureza”. Desde as aves que frequentam meu quintal, até o pôr do sol em frente à varanda, passando pelos insetos, flores, luas, calangos e pelo sapo gigante que passa as noites no pote de água dos cachorros, fiz uma viagem fotográfica pela natureza ao meu redor.

Claro que também há fotos das pessoas que me visitam, de algumas reuniões de amigos e muitos testes (bem e mal sucedidos) de equipamentos e técnicas fotográficas. Mas o que predomina é mesmo a natureza em volta do meu dia a dia.

Essa é uma das grandes riquezas da fotografia! Ela nos ensina a prestar atenção, a ver sem deixar passar despercebido. Por isso, decidi que o primeiro post de 2017 seria com uma imagem feita no quintal da minha casa. Este beija-flor, chamado besourinho-de-bico-vermelho, tem sido meu companheiro e modelo fotográfico já há alguns meses, desde que os arbustos de lantanas estão floridos.

E, com esta foto, convido cada um, como meta de novo ano, a prestar atenção na sua própria natureza. Seja num bicho, no céu, numa planta, o que for. Lembre sempre que não há uma linha separando cidade e natureza. Nosso cuidado com o meio ambiente, assim como nosso desfrute dele, pode e deve começar pelo lugar onde vivemos.

Conheça, viva e desfrute a natureza onde ela está: seja na versão mais intocada e primitiva de um parque ou aquela que pode estar num simples vaso de flor de um apartamento.

Dados da foto:
– Câmera Nikon D500
– Objetiva Nikon AFS 200-500mm f/5.6 VR @ 260mm
– Exposição: ISO 2800, Abertura f/5.6, Velocidade 2500s

A natureza sempre foi uma paixão para Marcos Amend que, ainda adolescente, passou a observá-la também pelas lentes de uma máquina fotográfica. Assim, aliando o talento fotográfico à conservação do meio ambiente, há 25 anos viaja do Norte ao Sul do Brasil e pelos cantos mais remotos do mundo. Colabora com livros, revistas e bancos de imagens e realiza expedições, cursos e workshops de fotografia outdoor.

Marcos Amend

A natureza sempre foi uma paixão para Marcos Amend que, ainda adolescente, passou a observá-la também pelas lentes de uma máquina fotográfica. Assim, aliando o talento fotográfico à conservação do meio ambiente, há 25 anos viaja do Norte ao Sul do Brasil e pelos cantos mais remotos do mundo. Colabora com livros, revistas e bancos de imagens e realiza expedições, cursos e workshops de fotografia outdoor.

4 comentários em “Onde a natureza está

  • 16 de Janeiro de 2017 em 10:22 AM
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    Adorei, seria tão bom se as pessoas pudessem parar por alguns minutos e apreciar tudo que a natureza tem a nos oferecer… Começar pelo nascer do sol, um vento no rosto, o cantar de uma ave…. São coisas tão simples que muitos nem percebem o quanto é rico tudo isso.

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    • 16 de Janeiro de 2017 em 3:21 PM
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      Pois é, Aline! Tanta coisa pra ver e desfrutar em volta de onde vivemos, né? Sei que você faz parte dessa minoria que observa profundamente a natureza do seu “quintal”. =0)
      Beijos

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  • 16 de Janeiro de 2017 em 6:00 PM
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    Ai, ai (suspiro)… eis Zozô… que fofura…rendeu até um belo post. Pois é… quando não se tem um quintal pra olhar o entorno, faz como? Olha o quintal dos amigos. Zozô foi uma festa para os meus olhos e lentes. Doce e inesquecível momento. Esse seu texto faz todo sentido para mim. Muitas vezes, o que está no nosso redor passa desapercebido, inclusive com relação às pessoas e seus sentimentos. O mundo tem andado muito estranho. Eu sou feliz por ter amigos como você, que conseguem extrair a beleza e o encanto de todos os momentos, dos mais simples aos mais grandiosos, atravessando qualquer fresta para atingir o âmago da nossa alma.

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  • 17 de Janeiro de 2017 em 1:15 PM
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    Pois é, minha amiga! A gente precisa ter uma atitude diante dessa “estranheza” toda do mundo. Eu sempre opto por tentar tirar um quinhãozinho de alegria das coisas do dia a dia. E sei que você também é dessas! Besos

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